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Budapeste em debate

Luiz Zanin Oricchio

29 de maio de 2009 | 09h40

Fui ontem à noite ao debate de Budapeste com o diretor Walter Carvalho e o ator Leonardo Medeiros, mediados por Fernando Meirelles. Foi lá no HSBC Belas Artes, que está tentando criar o hábito dessas conversas entre público e realizadores. É muito comum em Paris. O filme estréia, em geral numa quarta-feira e nas sessões de fim de semana diretor e elenco vêm para conversar com a platéia. Cria uma expectativa legal para o filme, é barato e forma público. Bem, o debate no Belas Artes foi interessante. Muita coisa que foi discutida eu já tinha ouvido pelas conversas anteriores com Walter Carvalho e pela coletiva com o elenco à qual eu havia comparecido. Pena que a atriz húngara lá não estava porque é, digamos, uma figura das mais interessantes. Enfim, achei curioso algo que falaram a respeito dos estilos de direção. Segundo Meirelles há dois tipos de diretores – aqueles que sabem minuciosamente para onde vão e os que descobrem o filme à medida em que o fazem. Os dois cineastas lá presentes se dizem do segundo time. E colocaram como confronto o Guel Arraes que, segundo eles, obedece religiosamente ao roteiro por ele determinado, sem se afastar um milímetro. Cada plano é desenhado, a duração está pre-determinada, cada fala é respeitada. “Foi por isso que não trabalhei com ele uma vez que ele me convidou para ser o diretor de fotografia”, disse Walter. “Se a gente já sabe de antemão tudo o que vai acontecer, não tem graça; é melhor esperar para ver o filme na tela”, concluiu. Acho que, se eu filmasse, também pertenceria a esse segundo time. Com a escrita é a mesma coisa. Em boa parte somos levados e isso é que é interessante.

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