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Brizola na fita

Luiz Zanin Oricchio

30 de abril de 2008 | 12h51

RECIFE
A noite ontem foi para relembrar a trajetória de um político brasileiro. Brizola, Tempo de Luta, de Tabajara Ruas, às vezes parece um institucional do PDT, mas tem um caráter informativo interessante. Por que o cineasta não contemplou as arestas e as contradições de um personagem tão polêmico como Leonel de Moura Brizola? Porque quis retratá-lo na condição de mito, diz o diretor, gaúcho como o personagem retratado. Interessava-o ver o Brizola lutador, enfrentando o poder e dele participando em diversas ocasiões. Como aconteceu com vários outros de sua geração, foi engolido pelo golpe militar de abril de 64. Mas ressurgiu e foi eleito governador da Guanabara. Incomodou a muita gente e foi um dos poucos a tentar reagir ao golpe militar quando o próprio Jango, seu cunhado, já havia entregado a rapadura. Outro enfrentamento de Brizola foi com a poderosa Rede Globo. Um momento alto do filme mostra o constrangidíssimo Cid Moreira lendo no Jornal Nacional, por ordem da Justiça, o texto escrito por Brizola,detonando a Globo. Nesse ponto, a platéia do Cine Teatro Guararapes levantou-se e aplaudiu. Sabe como é? Mesmo em tempos inertes, existe a necessidade de heróis, gente que fala alto e enfrenta os poderosos. Não parece isso?

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