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Bressane vence Brasília pela 4ª vez

Luiz Zanin Oricchio

28 de novembro de 2007 | 00h28

Sob vaias do público, Cleópatra, de Julio Bressane, foi anunciado como vencedor do 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em cerimônia encerrada há pouco no Teatro Nacional.

Com a estatueta, Bressane confirma sua condição de senhor absoluto deste festival, com a incrível marca de 11 participações e quatro vitórias. As anteriores,que se somam a Cleópatra, vieram de Tabu, Miramar e Filme de Amor.

Mas o público não concordou com o júri oficial e deu seu prêmio a Chega de Saudade, de Laís Bodansky.

Já a crítica preferiu Meu Mundo em Perigo, de José Eduardo Belmonte.

A vaia comeu solta também quando foi anunciada a melhor atriz, Alessandra Negrini, protagonista de Cleópatra. A favorita era Rosanne Mulholland, que está em dois filmes, Falsa Loura e Meu Mundo em Perigo. Foi a maior pisada de bola do júri, em opinião quase unânime de quem acompanhou o festival.

Como se vê, as divergências deram o tom num festival muito equilibrado. Uma injustiça: Falsa Loura, de Carlão Reichenbach, que ficou com apenas um prêmio, o de atriz coadjuvante, para Djin Sganzerla.

Abaixo, a premiação completa.

40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

anuncia vencedores

PRÊMIOS OFICIAIS – TROFÉU CANDANGO

LONGA-METRAGEM 35MM

Melhor Filme – R$ 80.000,00

Filme: CLEÓPATRA, de Julio Bressane

Melhor Direção – R$ 20.000,00

LAÍS BODANSKY por Chega de Saudade

Melhor Ator – R$ 10.000,00

EUCIR DE SOUZA por Meu Mundo em Perigo

Melhor Atriz – R$ 10.000,00

ALESSANDRA NEGRINI por Cleópatra

Melhor Ator Coadjuvante – R$ 5.000,00

MILHEM CORTAZ por Meu Mundo em Perigo

Melhor Atriz Coadjuvante – R$ 5.000,00

DJIN SGANZERLA por Falsa Loura

Melhor Roteiro – R$ 10.000,00

LUIZ BOLOGNESI por Chega de Saudade

Melhor Fotografia – R$ 10.000,00

WALTER CARVALHO por Cleópatra

Melhor Direção de Arte – R$ 10.000,00

MOA BATSON por Cleópatra

Melhor Trilha Sonora – R$ 10.000,00

GUILHERME VAZ por Cleópatra

Melhor Som – R$ 10.000,00

E ainda Prêmio Dolby: consiste na licença para usar o sistema de som Dolby (equivalente a 4 mil dólares)

LEANDRO LIMA por Cleópatra

Melhor Montagem – R$ 10.000,00

RICARDO MIRANDA por Anabazys

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI

ANABAZYS, de Paloma Rocha e Joel Pizini

CURTA-METRAGEM EM 35MM

Melhor Filme – R$ 20.000,00

Filme: TRÓPICO DAS CABRAS, de Fernando Coimbra

Melhor Direção – R$ 10.000,00

LEONARDO LACCA por Décimo Segundo

Melhor Ator – R$ 5.000,00

WOLNEY DE ASSIS por Enciclopédia do Inusitado e do Irracional

Melhor Atriz – R$ 5.000,00

LARISSA SALGADO por Trópico das Cabras

Melhor Roteiro – R$ 5.000,00

CAMILO CAVALCANTE por O Presidente dos Estados Unidos

Melhor Fotografia – R$ 5.000,00

LULA CARVALHO por Trópico das Cabras

Melhor Montagem – R$ 5.000,00

LUIZ GUIMARÃES DE CASTRO por Eu sou assim – Wilson Batista

CURTA OU MÉDIA OU LONGA-METRAGEM EM 16MM

Melhor Filme – R$ 15.000,00

Filme: CONVITE PARA JANTAR COM O CAMARADA STALIN, de Ricardo Alves Junior

Melhor Direção – R$ 10.000,00

RICARDO ALVES JUNIOR por Convite para jantar com o Camarada Stalin

Melhor Ator – R$ 5.000,00

ARDUINO COLASSANTI no filme Esconde Esconde, de Álvaro Furlan

Melhor Atriz – R$ 5.000,00

SUZANNA KRUGER no filme Esconde Esconde, de Álvaro Furlan

Melhor Roteiro – R$ 5.000,00

ALVARO FURLONI, pelo filme Esconde Esconde

Melhor Fotografia – R$ 5.000,00

TOMAS PERES SILVA, Convite para jantar com o Camarada Stalin, de Ricardo Alves Junior

Melhor Montagem – R$ 5.000,00

MARINA MELIANDE, por O LABIRINTO, de Gleysson Spadetti

Premio Especial do Júri para O CRIADOR DE IMAGENS, de Diego Hoefel e Miguel Freire

Menção Honrosa para SISTEMA INTERNO, de Carolina Durão

PRÊMIO JÚRI POPULAR

Melhor longa-metragem em 35mm – R$ 30.000,00

Filme: CHEGA DE SAUDADE, de Laís Bodansky

Melhor média ou curta-metragem em 35mm – R$ 20.000,00

Filme: EU SOU ASSIM – WILSON BATISTA, de Luiz Guimarães de Castro

OUTROS PRÊMIOS

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Exclusivo para produções do Distrito Federal

Melhor longa-metragem em 35mm R$ 50.000,00
E ainda Prêmio Quanta – R$ 10.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria
Filme: SIMPLES MORTAIS, de Mauro Giuntini

Melhor média ou curta-metragem em 35mm R$ 10.000,00

E ainda Prêmio Quanta – R$ 8.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria
Filme: DIA DE VISITA, de André Luís da Cunha

Melhor filme em 16mm r$ 5.000,00

E ainda Prêmio Quanta – R$ 4.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria
Filme: OLHOS NOS OLHOS, de Johil Carvalho e Sergio Lacerda

PRÊMIO ABCV DF 2007

Brasília, Cinema e Vídeo. De Brasília, as árvores do cerrado. De Cinema e Vídeo,os rolos de filmes e fitas, o movimento. Da união, o troféu realizado com a madeira Jacarandá do Cerrado. Suas peças de madeira torneada fixadas excentricamente em um eixo vertical levam à brincadeira cinética, que transmuta o perfil da árvore torta; assim como Cinema e Vídeo em Brasília, crescendo e se transformando.

Projeto: Poema Mühlenberg. Marceneiro responsável: Stanley Altoé. Matéria-prima: Jacarandá do Cerrado encontrado tombado em jardim da Universidade de Brasília. Executado na Marcenaria da Maquete da UnB

Filme: DONA CUSTÓDIA, de Adriana Andrade

PRÊMIO DA CRÍTICA
Troféu Candango

Melhor Longa 35mm
Pela excelência de uma realização que evidencia a disposição em correr riscos, a exemplo da ousada concepção da trilha sonora, da câmera e da fotografia, o prêmio da crítica em longa-metragem 35mm vai para:

MEU MUNDO EM PERIGO, de José Eduardo Belmonte

Melhor Curta 35mm
Pelo apuro de sua montagem, a força da expressão de seus personagens e os contrastes de sua história sobre a desconstrução de um amor exaltado pela melancolia de uma viagem silenciosa pelo abismo cotidiano, o prêmio da crítica em curta-metragem 35mm vai para:

TRÓPICO DAS CABRAS, de Fernando Coimbra

PRÊMIO AQUISIÇÃO CANAL BRASIL

Cessão de dois prêmios, no valor de R$ 5.000,00 cada, a dois curtas 35mm, selecionados pelo júri Canal Brasil. Os filmes, futuramente, serão exibido pelo Canal Brasil.

Neste ano, formado pelos jornalistas André Miranda/O Globo; João Sampaio/Jornal A Tarde, de Salvador; Rudney Flores/Gazeta do Povo, de Curitiba;Carlos Heli/Jornal do Brasil, Rio de Janeiro e Neusa Barbosa (Cineweb/Reuters, São Paulo.

Filme: CAFÉ COM LEITE, de Daniel Ribeiro
Filme: TRÓPICO DAS CABRAS, de Fernando Coimbra

PRÊMIO SARUÊ
Conferido pela Equipe de Cultura do Correio Braziliense
Ao privilegiar a emoção em vez da denúncia, os filmes da 40a edição do Festival de Brasília presentearam o público com cenas de grande impacto. Lembraremos para sempre, por exemplo, da desconcertante sequência do videokê de Falsa Loura , e da dança redentora dos personagens de Leonardo Villar e Tonia Carrero em Chega de Saudade, bem como as sequências dos personagens de Stepan Nercessian e Cássia Kiss . Também ficou registrado o trabalho impecável de pesquisa e de montagem em Anabazys, que mostrou a uma nova geração a riqueza do processo criativo de Glauber em A Idade da Terra. Mas a equipe de jornalistas do Correio Braziliense observou que, em um festival de closes mais do que expressivos, o melhor momento do festival não poderia deixar de ser a performance arrebatadora de um ator que tem a emoção estampada no rosto. Um ator que, em cumplicidade com a direção e com seus colegas de cena, demonstrou total entrega a um personagem que carrega a marca da tragédia iminente. Cenas como a do julgamento da guarda do filho, a do choro no hotel e a do desfecho trágico de seu personagem, permanecem nas nossas memórias como sequências de altíssimo teor dramático, de um filme autoral e inventivo. Por todos esses motivos, o Correio Braziliense escolheu para receber a escultura confeccionada pelo artista plástico brasiliense Galeno, como melhor momento da 40a edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro a atuação de EUCIR DE SOUZA, o ELIAS de MEU MUNDO EM PERIGO.

PRÊMIO SARUÊ ESPECIAL – 40 ANOS

Para marcar os 40 anos do festival, o caderno Pensar, do Correio Braziliense, realizou uma enquete com 20 especialistas brasileiros, que elegeram os dez melhores filmes entre todos os vencedores da história do festival. Ganhadores inesquecíveis como Tudo bem, Todas as mulheres do mundo, Iracema – Uma Transa Amazônica, Santo Forte e A hora e Vez de Augusto Matraga ficaram entre os dez mais votados. Mas o filme que ganhou a enquete foi o vencedor da quarta edição do Festival, realizada em 1968. Um filme definido pelo próprio diretor como “um faroeste do terceiro mundo”: O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, de Rogério Sganzerla. Para homenagear o Bandido e a memória de Sganzerla, chamamos ao palco a atriz Helena Ignez para receber escultura confeccionada pelo artista plástico brasiliense Galeno.

PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES
Conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira.

Filme: CRIADOR DE IMAGENS, de Diego Hoefel e Miguel Freire – um ensaio sobre o olhar do fotógrafo Mario Carneiro

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