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Brasília

Luiz Zanin Oricchio

22 Novembro 2006 | 16h47

Gosto de Brasília. Aliás, aprendi a gostar, pois estranhei muito a cidade na primeira vez que estive aqui. Agora, olho pela janela do quarto onde estou, no Hotel Nacional, e vejo a Esplanada dos Ministérios. Não posso deixar de pensar que quem bolou esta cidade tinha uma profunda compreensão da importância dos espaços vazios. Quem vive numa megalópole atulhada como São Paulo, em que cada centímetro é disputado por edifícios e automóveis, não pode deixar de se emocionar com a visão aérea do Eixo Monumental. Aquele canteiro central, enorme, largo, parece um desperdício para quem tem a alma prática (e obtusa): “puxa, lá caberiam mais quatro pistas para ir e quatro para vir”. Sim, mas isso arrasaria o projeto da cidade, a sua alma mesma. Brasília é esse equilíbrio instável entre a construção e o espaço vazio.