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Brasília se divide entre ficções e documentários

Luiz Zanin Oricchio

19 de julho de 2013 | 10h15

Em sua 46ª edição, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, traz uma seleção de filmes inéditos para a competição. E, como no ano passado, persiste na segmentação entre gêneros – seis longas de ficção e seis longas documentais disputam os principais “Candangos” o troféu do Distrito Federal. Além dos longas, competem 18 curtas, em três grupos de seis: ficções, documentários e animações.

Esse formato é discutível – nenhum dos grandes festivais do mundo (Berlim, Cannes e Veneza) o utiliza. Críticos acham anacrônica essa divisão num tempo em que, pelo contrário, a fusão de gêneros e a (con)fusão de fronteiras passa a ser quase um lugar-comum do cinema contemporâneo. Mas, como essa divisão agrada, de maneira geral, aos documentaristas, a tendência é de que fique. Eles argumentam que têm poucas chances diante dos concorrentes de ficção, esquecidos de que Brasília já premiou dois documentários como melhor filme, independente do gênero, Santo Forte e Peões, ambos de Eduardo Coutinho. Mesmo assim, a discriminação existe. A melhor ficção leva R$ 250 mil; o melhor documentário fica com R$ 100 mil. Brasília distribui os melhores prêmios em dinheiro no circuito de festivais do País.

O festival será aberto dia 17 de setembro no Teatro Nacional com a exibição de Revelando Sebastião Salgado, de Betse de Paula, filme que antes disso passa pela serra gaúcha e concorre no Festival de Cinema de Gramado (9 a 17 de agosto). No dia seguinte, o festival volta para sua sede, o Cine Brasília, que passava por reformas o ano passado e não pôde ser usado.

A partir do dia 18, até a cerimônia de encerramento, dia 24, Brasília respira cinema. Em competição, filmes de vários Estados e regiões do País. Os de ficção, A Estrada 47 (A Montanha), de Vicente Ferraz (RJ); Avanti Popolo, de Michael Wahrman (SP); Depois da Chuva, de Claudio Marques e Marília Hughes (BA); Exilados do Vulcão, de Paula Gaitán (RJ); Os Pobres Diabos, de Rosemberb Cariry (CE); Riocorrente – Paulo Sacramento (SP). E os documentários, A Arte do Renascimento, uma Cinebiografia de Silvio Tendler – Noilton Nunes (RJ), Herreros Angola – Sérgio Guerra (BA), Morro dos Prazeres – Maria Augusta Ramos (RJ), O Mestre e o Divino – Tiago Campos (PE), Outro Sertão – Adriana Jacobsen e Soraia Vilela (ES), Plano B – Getsemane Silva (DF).

Além dos longas e curtas em concurso, o Festival de Brasília prevê uma série de debates e seminários sobre o cinema brasileiro. Esta tradição reflexiva faz parte do evento criado em 1965 pelo maior pensador do cinema nacional, Paulo Emilio Salles Gomes. Entre outros temas as mesas debaterão  a visão que se tem do cinema brasileiro no exterior. Entre os expositores, os ensaístas Randal Johnson (EUA) e Gian Luig de Rosa (Itália). O atual sucesso das comédias será enfocado no painel A cultura do Riso no Cinema Nacional, com a cineasta Betse de Paula, diretora de vários títulos do gênero, inclusive da vencedora do Cine PE, Vendo ou Alugo, ainda inédita no circuito comercial. Na mesma mesa, o historiador e colaborador do Estado, Elias Tomé Saliba, autor do ensaio Raízes do Riso: a representação humorística na história Brasileira. Vai ser instrutivo. E divertido.

 

 

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