Brasília 2019: Vence ‘A Febre’ num ano de polêmicas
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Brasília 2019: Vence ‘A Febre’ num ano de polêmicas

Luiz Zanin Oricchio

01 de dezembro de 2019 | 11h40

Premiação de ‘A Febre’, grande vencedor do Festival de Brasília de 2019

 

BRASÍLIA – Melhor filme, direção, ator, fotografia e som – foi assim, de baciada, que o longa A Febre, de Maya Da-Rin tornou-se o grande vencedor do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Levou ainda o prêmio da crítica. Fez-se justiça, a meu ver. 

A fábula “transteen” Alice Jr., do paranaense Gil Baroni, agradou em cheio e levou quatro Candangos – atriz, atriz coadjuvante, trilha sonora e montagem. 

Piedade, de Cláudio Assis, ficou com o Prêmio Especial do Júri, ator coadjuvante e direção de arte, enquanto o documentário O Tempo que Resta foi considerado o favorito pelo Júri Popular.

foi o melhor curta na decisão do júri oficial, enquanto a animação Carne ganhou o júri popular e o da crítica (Abraccine).  

Na Mostra Brasília, exclusiva para produções do DF, venceu o documentário Dulcina, também escolhido pelo júri popular. O curta Escola sem Sentido foi o vencedor em sua categoria, troféu também referendado pelo público.

Na opinião deste crítico, o júri oficial (agora batizado de “júri técnico”) acertou ao concentrar os prêmios entre seus favoritos, sem recair no pecado recorrente dos júris nacionais, o distributivismo. Este se justifica apenas quando os concorrentes têm nível semelhante, o que não ocorreu em Brasília 2019. 

Já quanto à Mostra Brasília não dá para concordar com o resultado. Dulcina, sobre a atriz e diretora de teatro Dulcina de Moraes, parece ter vencido mais pela força da personagem que do filme. 

Quanto à formatação do evento, entendo que foi um acerto enxugar a mostra competitiva e torná-la representativa de várias tendências do cinema nacional. Poderiam ter caprichado um pouco mais na escolha, é verdade. Mas trouxeram, pelo menos, três filmes fortes para a competição nacional – A Febre, Piedade e O Tempo que Resta. Filmes presentes em outras mostras – como Dorivando Saravá, de Henrique Dantas, estariam melhor na competição principal. 

O festival foi marcado por manifestações, protestos e polêmicas – e nem poderia ser diferente nos tempos que correm. Mas atitudes autoritárias, logo na noite de abertura, determinaram o acirramento dos ânimos que perdurou ao longo de todo o evento. Segurança tentando tirar manifestante do palco, microfone cortado, discussões acirradas com realizadores na plateia são atitudes que recordam o tempo da ditadura – e não estamos precisando de mais lembranças sobre o período militar e o AI-5. Pegam mal, sobretudo num festival de cinema. Creditem-se os deslizes à inexperiência da equipe de produção, mas também expressam certa tendência autoritária, que deve ser revista. 

Os debates dos filmes foram em geral produtivos, alguns mornos, outros em temperatura máxima. O documentário O Mês que não Terminou foi muito contestado, assim como a ficção Loop. De certa forma, reproduziu-se o clima do ano em que Vazante, de Daniela Thomas, foi massacrado. Bem, o que se pode dizer é que cineasta que entra em competição tem de estar pronto para críticas. Hay que endurecer o couro. Mas também parece que alguns grupos só aceitam filmes segundo um determinado padrão de representatividade. Há uma linha fina e porosa que separa a crítica das imposições político-estéticas. Ainda precisamos aprender a separar uma coisa da outra e a urgência – muito real! – de certas questões não justifica a mistura das duas dimensões.  

Abaixo, a premiação completa

 Mostra Competitiva – Longa-metragem

 

MELHOR SOM

A Febre, filme de Maya Da-Rin

Equipe de Som: Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado, Emmanuel Croset

 

MELHOR TRILHA SONORA

Alice Júnior, filme de Gil Baroni,

Trilha Sonora de Vinicius Nisi

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Piedade, de Claudio Assis

Direção de Arte: Carla Sarmento

 

MELHOR MONTAGEM

Alice Júnior, filme de Gil Baroni

Montagem: Pedro Giongo

 

MELHOR FOTOGRAFIA

A Febre, filme de Maya Da-Rin

Direção de Fotografia: Bárbara Alvarez

 

MELHOR ROTEIRO

O tempo que resta, filme de Thaís Borges

Roteiro: Thaís Borges

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Piedade, de Claudio Assis

Ator coadjuvante: Cauã Reymond

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Alice Júnior, filme de Gil Baroni

Atriz coadjuvante: Thais Schier

 

MELHOR ATOR

A febre, direção de Maya Da-Rin

Melhor ator: Régis Myrupu

 

MELHOR ATRIZ

Alice Júnior, direção de Gil Baroni

Melhor Atriz: Anne Celestino

 

MELHOR DIREÇÃO LONGA METRAGEM

A febre, direçao de Maya Da-Rin

 

MELHOR LONGA METRAGEM JÚRI POPULAR

O tempo que resta, filme de Thaís Borges

 

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – LONGA-METRAGEM

Claudio Assis, pelo filme Piedade

 

MELHOR LONGA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA (PRÊMIO TÉCNICO DOT CINE)

A febre, filme de Maya Da-Rin

 

PRÊMIO SARUÊ – CORREIO BRAZILIENSE

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

 

PRÊMIO ABRACCINE – MELHOR FILME LONGA METRAGEM COMPETITIVA

O tempo que resta, filme de Thaís Borges

 

MENÇÃO HONROSA

Ary y yo, de Adriana de Farias

Boca de ouro, de Daniel Filho

Um filme de verão, de Jo Serfaty

 

 

Mostra Competitiva – Curta-metragem

MELHOR SOM

A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá

Som: Guma Farias e Bernardo Gebara

 

MELHOR TRILHA SONORA

Alfazema, filme de Sabrina Fidalgo

Trilha Sonora: Vivian Caccuri

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Parabéns a você, filme de Andreia Kaláboa

Direção de arte: Isabelle Bittencourt

 

MELHOR MONTAGEM

A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá

Montagem: André Sampaio

 

MELHOR FOTOGRAFIA

Parabéns a você, filme de Andreia Kaláboa

Direção de Fotografia: João Castelo Branco

 

MELHOR ROTEIRO

Carne, de Camila Kater

Roteiro: Camila Kater e Ana Julia Carvalheiro

 

MELHOR ATOR

A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá

Melhor ator: Severino Dadá

 

MELHOR ATRIZ

Angela, filme de Marilia Nogueira

Melhor atriz: Teuda Bara

 

MELHOR CURTA METRAGEM JÚRI POPULAR – MOSTRA COMPETITIVA (PRÊMIO TÉCNICO EDINA FUJII CIARIO)

A Carne, filme de Camila Kater

 

MELHOR CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA (PRÊMIO TÉCNICO DOT CINE E CINEMATICA)

Rã, de Júlia Zakia e Ana Flavia Cavalcanti

 

PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES

Chico Mendes, um Legado a Defender, de João Inácio

 

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS – MELHOR FILME CURTA METRAGEM COMPETITIVA

Sangro, de Tiago Minamisawa e Bruno H. Castro

 

PRÊMIO ABRACCINE – MELHOR FILME CURTA METRAGEM COMPETITIVA

A Carne, de Camila Kater

 

Mostra Brasília BRB

 

MELHOR DIREÇÃO

Mãe, filme de Adriana Vasconcelos

 

MELHOR CURTA METRAGEM JÚRI POPULAR

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

 

MELHOR LONGA METRAGEM JURI POPULAR

Dulcina, filme de Glória Teixeira

 

MELHOR CURTA METRAGEM – MOSTRA BRASÍLIA (PRÊMIO TECNICO EDINA FUJII CIARIO)

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

 

MELHOR LONGA METRAGEM– MOSTRA BRASÍLIA (PRÊMIO TECNICO EDINA FUJII CIARIO)

Dulcina, filme de Glória Teixeira

 

MELHOR DIREÇÃO CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA

Alfazema, filme e direção de Sabrina Fidalgo

 

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Mito e música – a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira

Edição de Som: Laurent Mis

 

MELHOR TRILHA SONORA

Mito e música a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira

Trilha de: André Luiz Oliveira

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Dulcina, filme de Glória Teixeira

Direção de arte: Ursula Ramos e Demétrios Pina

 

MELHOR MONTAGEM

Ainda temos a imensidão da noite, filme de Gustavo Galvão

Montagem: Marcius Barbieri

 

MELHOR FOTOGRAFIA

Ainda temos a imensidão da noite, filme de Gustavo Galvão

Direção de Fotografia: André Carvalheira

 

MELHOR ROTEIRO

Mito e música – a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama de Oliveira

Roteiro: Rama de Oliveira

 

MELHOR ATOR

Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

Ator: Wellington Abreu

 

MELHOR ATRIZ

Dulcina, filme de Glória Teixeira

Atrizes: Bido Galvão, Carmem Moretzsohn, Iara Pietricovsky, Theresa Amayo, Glória Teixeira e Françoise Fourton

 

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