Brasília 2019: A paranoia dos pais em ‘Volume Morto’
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Brasília 2019: A paranoia dos pais em ‘Volume Morto’

Luiz Zanin Oricchio

30 de novembro de 2019 | 14h53

BRASÍLIA – Hoje à noite, com a projeção fora de concurso de Giocondo Dias, Ilustre Clandestino, de Vladimir Carvalho, encerra-se o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e serão conhecidos os vencedores. 

Ontem houve a sessão com os últimos concorrentes – o longa Volume morto e os curtas Sangro e Amor aos 20 Anos

Volume Morto, de Kauê Telloli, é um drama de estrutura teatral, com a professora (Fernanda Vasconcellos) recebendo na escola os pais de um aluno problemático. O encontro evolui para situações inusitadas, beirando o absurdo. No começo, tem-se boa impressão da trama, em aparência uma crítica à paranoia dos pais, cada vez mais autoritários em relação aos métodos educacionais da escola e transformando seus filhotes em reizinhos cujos desejos não podem ser contrariados. 

O tratamento imagético é muito bom; já os diálogos parecem hesitantes e a trama se afasta da (suposta) crítica inicial para se encaminhar na direção de um thriller, que também não funciona lá muito bem. A indecisão de registros mostra talvez que o projeto poderia ter sido mais amadurecido. Não lhe faltam méritos, porém, entre eles a eficiência do elenco – além de Fernanda Vasconcellos, Julia Rabello e Daniel Infantini como os pais superprotetores, e Fernanda Viacava como a diretora da escola.

Se um mérito Volume Morto tem é o de mostrar como e talvez o por quê de a classe média urbana estar cada vez mais autoritária, alucinada e no caminho acelerado para a loucura.  

Curtas

Os dois curtas já havíamos visto em eventos anteriores. Valeu revê-los. Crescem.  

Sangro, de Tiago Minamisawa, é baseado numa história real. Traz o depoimento do namorado, que se descobriu portador do vírus HIV e viu sua vida virada ao avesso. O relato, entremeado de imagens criativas (algumas, intervenções sobre a pintura Jardim das Delícias, do pintor flamengo Hieronymus Bosch), é tocante e fala em recuperação, confronto com a morte e renovação da alegria de viver. 

Amor aos Vinte Anos, de Felipe Poroger, é, como o título indica, homenagem ao cinema amoroso de François Truffaut e, talvez de maneira secundária, a Woody Allen. O próprio diretor interpreta Pepe, cuja namorada foi fazer sua “experiência” na Europa e encontra-se presa de confusas hesitações amorosas e existenciais. Mesma dúvida não atinge os pais da moça, um casal burguês disposto promover o rápido casamento dos jovens, inclusive dando-lhes de presente um apartamento ao lado do Parque do Ibirapuera. Criativo, divertido e crítico, o filme, em sua feitura, é exemplo de inteligência cinematográfica em comunicação com o público.  

 

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