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Brasília 2013 pulveriza prêmios em edição confusa

Luiz Zanin Oricchio

26 Setembro 2013 | 09h23

Foi uma surpresa – o último longa exibido, Exilados do Vulcão, de Paula Gaitán, recebeu o principal prêmio do 46 Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Um tanto hermético para o público em geral, o filme de Paula é vagamente inspirado no romance Sobre a Neblina, de Christiane Tassis. O enredo é desidratado ao ser transposto para a tela, e o que se vê é um trabalho sensorial, de muita força nas imagens e nos sons. Recebeu também o candango de melhor som, para Fábio Andrade e Edson Secco.

O resto da premiação foi muito pulverizada. Todos os concorrentes de ficção foram contemplados, com exceção de Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry, que ficou apenas o prêmio do público.

A maior injustiça foi cometida contra Riocorrente, obra de impacto de Paulo Sacramento, que recebeu apenas os troféus de montagem e fotografia. Foi a oportunidade perdida pelo Festival de Brasília de apontar o trabalho mais intenso e plugado com mundo contemporâneo.

O júri, que andou com a cabeça nas nuvens, produziu alguns acertos. Entre eles, os troféus de atriz (Maeve Jinkings) e atriz coadjuvante (Nash Laila), ambas de Amor, Plástico e Barulho, imersão na cena da música brega do Recife. Deu um troféu póstumo ao fotógrafo Aloysio Raulino por Riocorrente, seu último trabalho em ficção e de fato a melhor imagem do festival. Em gesto populista, concedeu o também póstumo candango de melhor ator coadjuvante para Carlos Reichenbach, falecido ano passado. Carlão foi imenso diretor e uma das pessoas mais queridas do cinema brasileiro. Mas, ator? E o que dizer do prêmio de diretor para Michael Wahrmann, de Avanti Popolo, obra em que atua Carlão? Uma premiação no mínimo confusa.

Já o júri de documentários andou bem ao dar o prêmio principal para o polêmico e bem-humorado O Mestre e o Divino, de Tiago Campos, sobre as relações entre xavantes e um exótico padre alemão salesiano.

Em resumo: o festival foi bom, atravancado pelo excesso de filmes e atrações secundárias. Mais enxuto e com júris de pés fincados no chão, talvez pudesse fazer jus à fama de mais importante e politizado dos festivais brasileiros. Neste último quesito, ficou devendo nesta edição de 2013.