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Brasil em Cannes

Luiz Zanin Oricchio

24 de abril de 2008 | 16h23

Vocês já devem ter lido em todos os segundos cadernos de hoje, mas vai o registro também no blog: o Brasil volta à competição principal de Cannes com Linha de Passe, de Daniela Thomas e Walter Salles. Entra também na paralela Un Certain Regard com A Festa da Menina Morta, estréia na direção do ator Matheus Nachtergaele.

Acho que o Brasil não disputava a Palma de Ouro desde 2003, quando participou com Carandiru, de Hector Babenco. Naquele ano fui cobrir o festival para o jornal e testemunhei, ao vivo e em cores, a má recepção do filme de Babenco. Acho que simplesmente eles não entenderam aquela visão meio alucinada, meio realista, do mega-presídio descrito pelo médico Dráuzio Varella e transformado em imagens por Babenco.

Lembro que, antes da sessão, no Palais, um crítico de Paris, bastante famoso, puxou papo comigo, perguntando sobre o filme. Falei bem de Carandiru, expliquei, contextualizei. Ele assistiu à sessão ao meu lado e, assim que começaram a subir os créditos, saiu de fininho (ia dizer, saiu à francesa), sem se despedir. Acho que para evitar o constrangimento de dizer que tinha odiado. De qualquer forma, li o jornal no dia seguinte e a sua crítica era arrasadora.

Cannes é uma babilônia, como a maioria dos grandes festivais do mundo. É muito fácil um filme se perder por lá, em meio a tantos concorrentes, tantas celebridades, fuxicos, badalações e tapetes vermelhos. O mais difícil é ser visto, se destacar, aparecer, merecer críticas, debates e discussões. Tomara o filme de Waltinho & Daniela consiga a proeza. Idem para o de Matheus.

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