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Bouvard, Pécuchet e Borges

Luiz Zanin Oricchio

15 de maio de 2008 | 16h18

Não sei se vocês viram, mas a obra de Jorge Luis Borges está sendo reeditada pela Companhia das Letras. Livros bonitos, sem novidades. Nenhum ensaio novo ou qualquer outra introdução ou coisa que o valha. Apenas uma edição nova, o que já é bom – ter sempre Borges em catálogo.

Lembro de um tempo, não muito distante, em que era difícil encontrar um livro de Borges por aqui. Cheguei a comprar El Libro de Arena numa feirinha em Madri, num tempo em que Franco ainda era uma memória recente para os espanhóis e as moedas, em pesetas, luziam com a inscrição “caudillo de España por la gracia de Diós”. Tenho uma delas comigo até hoje, em algum fundo de gaveta. Bem, depois comprei a Prosa Completa de Borges pela argentina Emecé, um trambolho duro de transportar e, alguns anos depois, incorporei aos meus poucos pertences os quatro volumes das Obras Completas publicadas aqui pela Globo. Esses livros foram sendo lançados em separado e agora chega a edição da Companhia. Melhor a profusão do que a falta.

Mas tudo isso para dizer que peguei agora o livro Discussão, que reúne ensaios de Borges e o abri, meio ao acaso, para ler este Vindicação de Bouvart e Pécuchet, sobre o último e inconcluso romance de Flaubert. Quanta erudição e quanta coloquialidade num texto que se lê como uma notícia de jornal, mas que fica reverberando na cabeça! Leiam, leiam. E, sim, saiu há pouco uma excelente edição de Bouvard e Pécuchet pela editora Estação Liberdade. Bem cuidada e traduzida, cheia de informações.

Ler o que vale a pena é fundamental em mundo tão poluído por informações falsamente importantes.

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