Bons filmes na Mostra de Cinema Europeu
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Bons filmes na Mostra de Cinema Europeu

Luiz Zanin Oricchio

05 de outubro de 2021 | 12h42

O italiano ‘Sole’, uma das atrações da Mostra de Cinema Europeu

Em meio ao tsunami audiovisual em que fomos engolfados, passa um pouco despercebida esta Mostra de Cinema Europeu, que tem boas atrações. Começou dia 1º de outubro e vai até dia 8. Ainda há tempo para dar uma espiada. 

São 12 longas-metragens, de vários países europeus, que podem ser vistos, de graça, na plataforma https://www.festivalscope.com

Basta se credenciar na plataforma e assistir aos filmes. É simples. Até eu fui capaz.

Consegui, até agora, ver três longas e não me decepcionei. Pelo contrário. 

Vi o francês Os Perfumes, o lituano Oleg e o italiano Sole. Gostei dos três, de maneira diferente. 

Em Os Perfumes, de Grégory Magne, Emmanuelle Devos faz uma perfumista famosa que, por motivos que não vêm ao caso, caiu em desgraça na profissão e agora se vê obrigada a usar seu olfato privilegiado para fins menos nobres. Ela contrata um motorista também em dificuldades e, do relacionamento de ambos, nasce uma interessante troca de experiências. Devos, como sempre, é um charme só e atração à parte. 

Ok, é um filme comercial, que agradou uma parte da crítica francesa e desagradou a porção mais, digamos assim, xiita da cinefilia. A característica desse grupo é gostar apenas de um tipo de filme e descartar de maneira sumária todo o resto. 

Com um pouco de tolerância, porém, Os Perfumes revela-se aquele tipo de boa diversão, de qualidade, que não ofende a inteligência de ninguém. Ao contrário. 

Oleg, de Juris Kursitis, é um filme muito mais duro. Mostra a saga de um açougueiro lituano que consegue trabalho na Bélgica e vai em busca de um salário legal para saldar dívidas em seu país. 

Não é preciso muito tempo para Oleg descobrir que a solidariedade na classe trabalhadora é coisa do passado. Despedido, para sobreviver vê-se obrigado a aceitar uns bicos (trabalhos temporários) agenciados por um aproveitador inescrupuloso e um tanto psicótico. 

O retrato é o do vale-tudo vigente na sociedade contemporânea, mesmo em suas camadas mais afluentes como a Bélgica. Imagine por aqui. Registro duro da exploração de imigrantes, usa uma câmera documental parte do tempo, sem maiores firulas. Tem força. 

Por fim, o terno, mas nunca enganador Sole, do italiano Carlo Sironi. Aqui, trata-se de Lena (Sandra Drzymalska), uma garota polonesa de 22 anos, grávida de sete meses, que pretende vender seu bebê para um casal italiano que não pode ter filhos. Ela o faz para financiar o sonho de começar nova vida na Alemanha, onde tem uma amiga. 

Há quem acompanhe a história sempre temendo pelo pior. E, de fato, tudo parece equilibrado de maneira precária. O casal sem filhos terá de arrumar um ardil para ficar com a criança. A garota polonesa deverá fingir uma união com um jovem italiano, Ermanno (Claudio Segaslucio), que vem a ser sobrinho do casal. Ele deverá acompanhar os dias finais da gravidez e o parto. 

No entanto, algo sai dos planos quando o bebê nasce prematuro e a mãe deverá ficar junto do recém-nascido mais tempo do que havia combinado. Emoções incontroláveis entram em jogo. Sentimentos poderosos, talvez, mas insuficientes para alterar as regras do jogo em uma sociedade em que o dinheiro fala mais alto, afinal. Uma nota de melancolia marca o final desse belo relato muito bem construído e interpretado.   

 

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