Bohemian Rhapsody
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Bohemian Rhapsody

A premiada cinebiografia de Freddie Mercury pode emocionar mesmo quem não for fã do vocalista e do Queen

Luiz Zanin Oricchio

14 de janeiro de 2019 | 12h36

 

Fui ontem à noite ver Bohemian Rhapsody. Domingo, sessão das 21h30, e cinema quase lotado. Um sucesso.

Primeiro, devo dizer que Freddie Mercury e o Queen não são a minha praia. Meu doce de coco, em termos de música, é bossa nova, samba, ritmos brasileiros em geral (tirando aberrações do tipo breganejo, claro), jazz (tudo), ritmos cubanos, clássico. E fica por aí, o que já é um universo e tanto, inabordável. Rock está fora do meu radar. Não por preconceito, creio eu.

De modo que, ao ver Bohemian Rhapsody, eu, diferentemente da maior parte do público, não ia ao encontro de algo que já conhecia. Ia em direção ao desconhecido. Daí a minha surpresa com a força e a qualidade do que vi e ouvi.

De resto, o filme me parece um biopic competente, porém bastante romanceado (e atenuado) sobre a vida do personagem. Não estou comparando o filme a uma biografia que desconheço. Falo de algo interior ao filme, mesmo. Por exemplo, quando se sugere que em certa altura da vida Mercury enterrava-se em orgias e em comportamento autodestrutivo, tudo é mostrado com relativo pudor. De modo a não ferir sentimentos do público médio e nem dos fãs menos radicais. (Já os mais radicais podem ter se sentido frustrados com essa opção).

De qualquer forma, o filme de Bryan Singer me pareceu muito bonito, com momentos de bom cinema e, sobretudo, boa música. A reconstituição do concerto no Estádio de Wembley me soou muito convincente. As menções à presença de Mercury no Rock in Rio foram tocantes. E, claro, a interpretação de Rami Malek é de fato muito boa.

O material que se oferecia ao filme é muito rico. Veja bem: o rapaz vem do nada, se transforma em lenda do rock, casa com a mulher que ama, descobre-se bissexual, fica tentado pela fama e abandona seus músicos, desce aos infernos, reconcilia-se com seus verdadeiros amigos e morre, vítima da Aids. Uma saga. Que talvez pudesse carregar-se em tons mais dramáticos mas que, de qualquer forma, emociona e prende a atenção. Mesmo de leigos, como este aqui.

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