As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Bergman menos conhecido

Luiz Zanin Oricchio

25 de junho de 2008 | 11h25

Deve ser uma coincidência feliz. Meu colega Luiz Carlos Merten está na Suécia para a Semana Bergman e eu tenho visto alguns filmes menos conhecidos do mestre sueco, um dos meus diretores favoritos. A idéia é preparar um artigo sobre esses filmes que não chegaram a fazer tanto sucesso (cinéfilo) como Morangos Silvestres, Gritos e Sussurros, Fanny & Alexander e outros tão badalados quanto. Refiro-me a O Rosto, Juventude e Uma Lição de Amor, todos recentemente lançados pela Versátil.

Já vi O Rosto, filme estranhíssimo e inquietante sobre o magnetizador Vogler e sua trupe. Truque, verdade, mistificação? Tudo no ambiente teatral, caro a Bergman, ao mesmo tempo o mais cinematográfico dos diretores, justamente por aprofundar ao limite o teatral que existe no cinema e na própria vida. Max von Sydow vive o místico Vogler.

Ainda não vi Uma Lição de Amor.

Mas ontem tirei a noite para assistir a Juventude que, segundo o encarte do DVD, era um dos Bergman favoritos de Godard. É uma graça de filme, em estupendo preto-e-branco. História de Marie, bailarina que, aos 28 anos, parece precocemente envelhecida. Pelo flash back ficamos sabendo por quê – ela já tivera a sua cota de morte na existência.

Voltando ao passado, o filme é o primoroso registro de um amor jovem, amor de gente moça, com todo o frescor e a inocência da descoberta dos sentidos e dos sentimentos. Emocionante. E profundo, como deve ser o filme de diretor que se leva a sério, pois é também relato de uma perda dessa mesma inocência.

A vida se impõe, com seus limites e sua cota de desencanto. E, mesmo assim, valendo a pena ser vivida. Amei.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.