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Saddam e o nosso fim de ano

Luiz Zanin Oricchio

30 de dezembro de 2006 | 20h08

O ano termina com imagens de um homem sendo conduzido ao cadafalso. Sim, o homem é Saddam Hussein, assassino, infame, ditador, o que se quiser. Isso ameniza as imagens e, em especial, o fato em si? Não é uma pergunta retórica. É uma pergunta e ponto. Não sei e nem consigo formular um conceito universal para a questão. Não sei se por mais execrável que seja um personagem ele mereça ser submetido ao assassinato burocrático pela mão do Estado. Mas se não tenho certeza, tenho a minha opinião.

Confesso que acho a pena de morte o mais soturno dos crimes. Um filme abriu minha cabeça para isso: Não Matarás, do polonês Krzysztof Kieslowski. Nele, é mostrado um crime brutal, um taxista sendo assassinado por um rapaz, de maneira gratuita e incrivelmente violenta. A segunda metade do filme é o processo, condenação e execução do criminoso, com toda a minúcia ritual do (também) enforcamento. Como se o cineasta nos dissesse: “Vou exibir duas mortes violentas da maneira a mais honesta possível e você decide qual delas é mais brutal”. É isso. A partir daquele momento nunca mais tive dúvidas a respeito da pena de morte. Pegue o filme na locadora, se tem dúvida.

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