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Bang Bang em Taiwan

Luiz Zanin Oricchio

03 de setembro de 2007 | 19h35

VENEZA -Não resisti à brincadeira com o título do filme de Lee Kang Sheng – Bangbang wo Aishen, que não tenho a menor idéia do que pode significar, mas me lembrou o título do Tonacci. A tradução é Help me, Eros. Deve ser por aí, porque o filme é mesmo uma tremenda pedida de ajuda ao deus do amor. Amor, seja lá o que isso significa, o que é uma das perguntas desse filme desesperado, radical, às vezes francamente desagradável, mas que não sai da tua cabeça depois de visto. Na saída do cinema, agora há pouco, conversava com dois amigos sobre o assunto. Será por que a sensação maior de fragmentação da vida contemporânea está vindo do Oriente, e através do cinema? Parece uma desrepressão total, sofrida, terminal e que se expressa numa linguagem asséptica, de beleza fria, cheia de neon, gadgets eletrônicos mediando a vida das pessoas. E uma sexualidade que sempre flerta com a perversão…e com a morte.

Não sei se vale a pena enumerar personagens, mas vá lá: há um operador de bolsa que perde tudo e começa a se envolver com as garotas que trabalham de microssaia embaixo do seu edifício. Há outro, homossexual, que faz comidas deliciosas para engordar cada vez mais sua já obsesa esposa. Esta, insatisfeita sexualmente, olha cobiçosa para a criação de enguias do marido…e mais não digo. O efeito sobre a platéia (de jornalistas) foi devastador: mais da metade saiu. Mas confesso que não sei o que se passa na cabeça de críticos que não podem suportar um filme mais forte. É querer ser médico e ter medo de sangue.

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