As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Balanço final de Gramado (3)

Luiz Zanin Oricchio

19 de agosto de 2008 | 17h03

Os curtas-metragens

Areia, de Caetano Gotardo. Imagens sensíveis do relacionamento entre um garoto e uma mulher mais velha. Alusivo, interessante.

Blackout, de Daniel Rezende. Falso plano-seqüência no diálogo entre Wagner Moura e Augusto Madeira. Eles são o assessor de um deputado corrupto e um suplente que entram numa sala em reforma da Assembléia para fumar um baseado. À la Tarantino.

Booker Pittman, de Rodrigo Grota. De longe, o mais inventivo, mas uma inventividade agora colocada a serviço da sensibilidade. Em preto-e-branco, o filme adota a pegada musical para falar de um instrumentista, que veio morar no Brasil e aqui morreu em estado de grande abandono.

Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral. Esse desenho, “documentário” sobre a morte da personagem de Angeli é uma das melhores e mais divertidas animações feitas nos últimos tempos. Genial a seqüência em que o Angeli “real” aparece lado a lado com sua figura, em massinha.

Espalhadas pelo Ar. Veterano de muitos festivais, esse filme de Vera Egito agrada pela sensibilidade. Mulher casada (mal) conhece garotas que fumam escondidas da mãe. Universo feminino, sensível, bons subetendidos.

Hiato, de Vladimir Seixas. Bom documentário sobre a “invasão” de um shopping da Zona Sul carioca por sem-tetos. A intervenção põe a nu os preconceitos e o abismo de classes sociais no Brasil. Talvez um excesso de comentários intelectuais quando os personagens falam por si sós – e de maneira tão eloqüente.

Homens. Lucia Caus e Bertrand Lira vão buscar homossexuais assumidos lá onde é menos provável encontrá-los – em pequenas cidades do nordeste. Bons depoimentos.

Noite de Domingo. Rodrigo Hinrichsen busca o clima rarefeito dos textos de Caio Fernando Abreu na história do rapaz que decide visitar a amiga de um amigo. Lacunar e interessante.

O Presidente dos Estados Unidos parece um filme apenas engraçado do talentoso Camilo Cavalcante, do Recife. Maluquinho que mora num conjunto habitacional se acredita presidente dos EUA num momento grave. Azar da mulher dele. A história surpreende quando vira em tragédia, à maneira das do mexicano Arturo Ripstein.

Osório. Bom documentário das curitibanas Heloisa Passos e Tina Hardy sobre os personagens que freqüentam a tradicional Praça General Osório, em Curitiba.

Subsolo. O filme de Jaime Lerner ganharia se não fosse tão demonstrativo na história de uma candidata ao suicídio que se vê presa num poço de elevador durante um black-out.

Um Ridículo em Amsterdã. Também este filme de Diego Gozze tem rodado festivais. Documentário fake sobre um garoto que conta como comprou seu ap. trabalhando 24 horas por dia. O personagem tem espontaneidade e a filmagem, desleixada de propósito, dá uma aura de veracidade ao relato. Tem seus momentos. Revisto, cansa.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: