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Balanço final de Gramado 2008 (1)

Luiz Zanin Oricchio

19 de agosto de 2008 | 15h34

Vou fazer meu balanço final de Gramado por partes, para não cansá-los com posts muito grandes. Aí vaí o primeiro.

Os longas-metragens brasileiros

A Festa da Menina Morta: bela estréia de Matheus Nachtergaele; um delírio religioso na Amazônia, mergulho profundo nas contradições humanas. Uma cena forte, a do incesto, entre outras cenas fortíssimas. Uma atuação de destaque para Daniel de Oliveira, que incorporou o personagem a ponto de a gente não reconhecer o ator na tela. Ponto, mais uma vez, para a fotografia inventiva de Lula Carvalho.

Juventude: o universo amoroso de Domingos Oliveira, mais uma vez em digital estourado, o que pode causar algum incômodo. A trinca de atores – Domingos, Paulo José e Aderbal Freire Filho – esteve brilhante. Texto afiado. Otimista sem ser babaca.

Netto e o Domador de Cavalos. Cinema de bombacha de Tabajara Ruas, que consegue alguns bons momentos mas não vai além disso. O anterior, Netto Perde sua Alma, era melhor. Salva-se, e muito, a atuação cool de Werner Schünemann, no papel principal.

Nome Próprio. Aposta arriscada de Murillo Salles, ao filmar uma personagem pela qual nem ele nutre simpatia. Destaque-se a entrega de Leandra Leal no papel principal. Filme exasperante, sem que isso seja elogio. Muito bem fotografado, pelo próprio diretor. Não é mau, mas Murillo já foi mais fundo, e mais longe. Além do mais, o filme não era inédito, o que é problemático para um festival de primeira linha.

Pachamama. Documentário inventivo de Eryk Rocha, uma imersão original na realidade latino-americano, sem o viés poncho-e-conga de anos atrás. Concilia poética e política na linguagem cinematográfica. Belo filme.

Vingança, de Paulo Pons. Sabe aquele tipo de filme que não diz a que vem? É este. Não que seja mal-feito. Ao contrário, e tem até personagens interessantes. A trama de vingança, que tarda a acontecer, parece das mais artificiais. E esse artificialismo se estende à linguagem do filme e contamina parte do elenco. O mais anódino da seleção.

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