Babenco e Roberto Farias
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Babenco e Roberto Farias

Luiz Zanin Oricchio

15 Julho 2016 | 08h52

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Ontem de manhã fui surpreendido pela morte inesperada de Hector Babenco. Já estava na porta de casa, saindo para a cabine de Tarzan, quando o jornal me acionou pedindo material. Voltei para o computador, preparei um filme a filme comentado do diretor, um texto com análise crítica (Leia aqui)e ainda pedi a vários conhecidos depoimentos sobre o Babenco. Muitos nos ajudaram, generosamente. Roberto Farias, o grande diretor de Assalto ao Trem Pagador, mandou mais que um depoimento – enviou um texto mais amplo, muito divertido e esclarecedor sobre a participação do Babenco em O Fabuloso Fittipaldi, documentário no qual os dois trabalharam juntos. E, de quebra, mandou uma foto de ambos na Europa, jovens, durante a filmagem. Vai aí o texto. E a foto, que é deliciosa.

“Caro Zanin.
Poderia falar muito mais do Hector. Preferi um pequeno resumo. Espero que você possa usar alguma coisa.
Babenco me procurou na RFFarias. Não o conhecia. Ele me convidou para fazer um filme sobre Emerson Fittipaldi, que naquela altura vivia na Europa com sua mulher Maria Teresa. Hector ainda não tinha meios, nem experiência para tocar um projeto daquele tamanho. Na noite do dia seguinte embarcamos para a Suiça e na manhã seguinte dia estávamos na casa do Emerson. Sem qualquer resquício de vaidade, Hector passara a bola para mim.. Filmamos várias corridas da Fórmula 1que resultaram no “O Fabuloso Fittipaldi”. Entrevistamos o Emerson e vários pilotos da Fórmula 1 em vários Países. Hector ainda não falava inglês. Num restaurante na Inglaterra, cada membro da equipe dizia ao garçom o prato de sua escolha. O dele foi: “I’am a chicken”, rimos muito. Filme na lata, ainda não tínhamos o recurso da TV, a edição era feita à unha, com película 35mm e cola. Ou seja levamos meses para ter o filme pronto e perdemos a oportunidade de exibi-lo no ano em que Emerson foi campeão pela primeira vez. Hector sofria, ao ver a montagem lenta na nossa “Prevost”. Lançamos o filme um ano depois, mas deixamos um documento sólido sobre nosso campeão. Depois do “Fittipaldi” não voltamos a trabalhar juntos. Ficamos amigos. Hector era muito inteligente, sabia rir de si mesmo. Contava histórias de sua vida com um humor trágico, fazendo o ouvinte rolar de rir. Quando dirigi a Embrafilme, voltamos a nos encontrar para o financiamento do “O Rei da Noite”. Hector nasceu na Argentina, mas com sua morte, o cinema brasileiro é que ficou mais pobre.”
Roberto Farias

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