Azougue Nazaré vence o 13º Fest Aruanda
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Azougue Nazaré vence o 13º Fest Aruanda

Longa pernambucano põe em questão o avanço das igrejas neopentecostais pelo interior do Brasil

Luiz Zanin Oricchio

13 de dezembro de 2018 | 09h27

João Pessoa/PB

Poucos filmes saem tão premiados em festivais como Azougue Nazaré no 13º Fest Aruanda. O longa pernambucano ganhou a chamada “tríplice coroa”, levando os troféus do júri oficial, da crítica e do público. E mais uma fieira de prêmios, diretor, ator, roteiro, fotografia e figurino.

O que tem esse filme para merecer tal reconhecimento? Bem, trata-se de um criativo estudo ficcional sobre os embates entre tradições populares, no caso o maracatu, e as igrejas neopentecostais. O caso se dá na cidade pernambucana de Nazaré da Mata e tem por centro um casal, no qual a mulher, Darlene, é crente e o marido, Catita, praticante do maracatu. O pastor Barachinha, ex-mestre do maracatu, converteu-se e agora deseja evangelizar toda a cidade.

O tom cômico e às vezes sardônico, a espontaneidade e a graça, tudo mesclado a um leve realismo fantástico são elementos que produzem um filme potente, em que a guerra cultural entre as novas igrejas e as tradições locais tem como pano de fundo uma cultura canavieira que dá pouca oportunidade de ascensão aos moradores.

A premiação foi justa? Foi. Talvez um tanto exagerada, em detrimento de concorrentes esquecidos (como Mussum – um Filme do Cacildis) ou subpremiados, como Adoniran – Meu Nome é João Rubinato, ou Simonal. Enfim, este é um dilema dos júris – ou são distributivistas ou concentracionistas. Difícil atingir um justo equilíbrio. Mas Azougue Nazaré era mesmo o título a ser destacado.

Concentração também houve na premiação da mostra Sob o Céu Nordestino, que reuniu longas paraibanos. O vencedor, em várias categorias, foi Beiço de Estrada, de Eliézer Rolim, baseado em peça teatral homônima do próprio diretor. Num antigo bordel, tornado decadente pela abertura de uma estrada, uma avó (Darlene Glória) cria os netos depois que a mãe das crianças (Mayana Neiva) abandonou o local.

Cabe lembrar que nesta mostra, composta por seis filmes, dois deixaram de concorrer aos prêmios por estratégia da produção: O Seu Amor de Volta e Ambiente Familiar.

Entre os curtas, foi vencedora a ficção científica paraibana Ultravioleta, de Dhiones Nunes.

Esta foi uma edição histórica do Fest Aruanda, em especial pela mostra Sob o Céu Nordestino, que reuniu seis longas paraibanos, fato excepcional num Estado até agora de pequena produção. O filmes, pelo menos alguns deles, apresentam notável qualidade técnica, ousadia estilística e consistência de realização. Alguma coisa acontece na Paraíba. E é coisa boa.

PREMIADOS DO FEST ARUANDA 2018

LONGA NACIONAL:

. “Azougue Nazaré” (Pernambuco)- melhor filme pelo júri oficial, pela Crítica (Abraccine) e pelo Público, melhor diretor (Tiago Melo), ator (ex-aequo) para Valmir do Côco, roteiro (Tiago Melo e Jerônimo Lemos), fotografia (Gustavo Pessoa), figurino (Joana Gatis e Mariana….)

. “Simonal” (Rio de Janeiro) – melhor ator (ex-aqueo) Fabrício Boliveira, direção de arte (Yurika Yamazaki), som (. )

. “Adoniram, Meu Nome é João Rubinato” (São Paulo): melhor montagem (Christian Grinstein, Gabriel Peixoto e Pedro Serrano), melhor trilha sonora (Rafael Benvenuti)

. “Som, Sol & Surf: Saquarema” (Rio de Janeiro) – Prêmio Especial pelo Resgate de materiais de arquivo

. “Clementina”(Rio de Janeiro): melhor personagem feminino (Clementina de Jesus).

LONGA PARAIBANO:

. “Beiço de Estrada” – melhor filme, diretor (Eliézer Rolim), atriz (Darlene Glória), ator (Jackson Antunes), ator revelação (Rique Messias), roteiro (Eliézer Rolim), Prêmio Mystika (no valor de R$20 mil)

. Estrangeiro”- melhor fotografia (Raphael Aragão, Júlia Sartori e Charliane Rodrigues)

. “Sol Alegria”: menção honrosa

. “Rebento”: menção honrosa para a atriz Zezita Matos

. “Seu Amor de Volta (Mesmo Que Ele Não Queira)”,  de Bertrand Lira — Prêmio Especial da Crítica ao melhor longa paraibano

. CURTA-METRAGEM:

. Ultravioleta (PB) – melhor filme, diretor (Dhiones Nunes), direção de arte (Romero Sousa), som (Kennel Rógis), Prëmio Mystica (R$5 mil)

. “De Vez em Quando, Quando Eu Morro, Eu Choro”(PB) – Prêmio Rodrigo Rocha de melhor curta paraibano, melhor roteiro ( ),

. “Edney” (PE) – trilha sonora (Henrique Macedo), figurino (Céfora Silva)

. “Reforma”(PE) – Prêmio da Crítica (Abraccine)

. “Rasga-Mortalha”(PB) – melhor ator (Buda Lira)

. “Roda da Fortuna”(DF) – melhor atriz (Fernanda Rocha)

. “Passo”(SP) – melhor montagem (Beatriz Peres)

 

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