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Ave, Bressane

Luiz Zanin Oricchio

01 de setembro de 2007 | 12h44

VENEZA – Boa recepção a Cleópatra, de Julio Bressane, primeiro brasileiro apresentado no Festival de Veneza. O filme, exibido fora de concurso na seção intitulada Mestres de Veneza, foi projetado na sala PalaLido, a maior do festival, com mais de mil lugares. Não dá para dizer que todas as poltronas estavam ocupadas e nem que não tenha havido deserções. Afinal, Bressane continua o cineasta fora de padrões convencionais que todos conhecemos. Mas meia casa ficou. E essa meia casa que ficou aplaudiu o filme demoradamente no final.

Curtiu a maneira pouco usual como o cineasta brasileiro mostrou a história da rainha do Egito, interpretada por Alessandra Negrini (fotografada em ângulos por certo diferentes dos da novela da Globo), e seu envolvimento (político-erótico) com os romanos por Júlio César (Miguel Falabella) e Marco Antonio (Bruno Garcia). Independentemente da Negrini, o filme é de grande beleza visual (mais uma vez fotografado por Walter Carvalho) e denso em simbologia, utilização da música popular brasileira de maneira anacrônica, e implicações históricas, por exemplo nas considerações sobre o Império Romano que bem poderiam ser aplicadas a hoje. Mas certamente Bressane não autorizaria uma transposição assim tão imediata dessas referências.

Fica o fato, confirmado, que Julio Bressane é cineasta bastante apreciado nos festivais europeus. Não, não é um grande sucesso, mas tem um nicho intelectual seguro, por assim dizer.

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