Assim É se Lhe Parece
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Assim É se Lhe Parece

Luiz Zanin Oricchio

08 Abril 2011 | 12h36

Assim É Se Lhe Parece. O título é tirado de Pirandello, mas o personagem de Carla Gallo é o artista plástico brasileiro Nelson Leirner. Pensando bem, uma figura pirandelliana, um típico personagem em busca de um autor. De fato, Leirner não se aproxima em nada do estereótipo do artista. Não fala em vocação, em transcendências ou epifanias. Da maneira como a descreve, sua arte parece coisa simples, uma brincadeira, algo que aconteceu em sua vida da mesma maneira como poderia deixar de acontecer.

Bem humorado, irônico consigo mesmo, Leirner lembra que morou com os pais nos Estados Unidos e frequentava mais a Broadway que os museus. “Fui empurrado para a arte por meus pais”, lembra-se. E teve um estalo ao ler e reler um livro do artista suíço Paul Klee. A ousadia formal, o diálogo com o sonho, a liberdade de expressão, tudo isso deve ter ressoado de maneira indelével no artista em formação. Donde a arte de Leirner manter essa relação sempre ativa com o lúdico.

Em documentário formalmente muito bem construído, Carla reconstrói, com a ajuda do artista, esse universo lúdico. Traz, para o filme, o mesmo sentido de humor e despojamento da obra de Leirner. Trata de construi-lo  com a mesma matéria de que são feitos os sonhos do artista. Dessa aproximação simpática – em todos os sentidos do termo – nasce a qualidade deste Assim É se Lhe Parece, um inspirado  diálogo entre o cinema e as artes plásticas.