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As Princesas de Aranoa não levam vida fácil

Luiz Zanin Oricchio

31 Maio 2007 | 21h19

Em Segundas-Feiras ao Sol, Fernando León de Aranoa retratava a vida dos desempregados, daqueles expulsos do mercado pela ‘nova economia’. Em Princesas, o diretor migra para outro universo, igualmente povoado por gente excluída, o das prostitutas. Não as garotas de luxo, mas as que batalham na rua, rodando bolsinha e driblando a polícia e rufiões.

O que se pode dizer é que Aranoa, pelo menos em boa parte do tempo, não alisa nem adoça o cotidiano das moças. Aparecem na tela a maneira como são tratadas como mercadoria descartável, as humilhações, os problemas de auto-estima, a relação com as famílias. Ao mesmo tempo, ele não cede ao apelo moralista, tentação que sempre ronda quem faz filmes sobre o comércio sexual.

Quem são essas moças? São duas personagens, Caye (Candela Peña) e Zulema (Micaela Nevárez). A primeira, é espanhola, ‘da terra’, embora pareça estrangeira em seu país. A outra é dominicana, saiu do país pobre e foi fazer a Europa, como tantas outras. Deixou para trás um filho e a mãe e envia dinheiro a eles. Quer voltar, mas não sabe quando. O sonho de Caye é juntar alguns milhares de euros para turbinar os seios com silicone.Investimento profissional ,digamos.

Aranoa trata suas personagens com toda a dignidade. Ensaia uns toques de Almodóvar no começo, quando evidentemente se encanta com a cumplicidade do universo feminino. O problema é levar esse registro até as últimas conseqüências, o que não é o caso. Mesmo assim, Princesas é um bom e terno filme sobre esse tema difícil, apesar do adjetivo ‘fácil’ ser colado com tanta naturalidade à vida dessas garotas.

(SERVIÇO)
Princesas (113 min) – 14 anos. Gemini 1 – 17h20, 19h30, às 21h40. Lumière 1 – 14 horas, 16h30, 19 h, 21h30. Unibanco Arteplex 7 – 13h20, 15h40, 19h10, 21h30. Cotação: Bom