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As palavras são eternas

Luiz Zanin Oricchio

22 Julho 2012 | 19h41

 

Manhã de sol em São Paulo, fui ao Museu da Língua Portuguesa para ver a exposição sobre Jorge Amado, que terminava hoje.

Achei a exposição uma beleza. Didática, mostrava em painéis a relação de Jorge com temas como a política e a miscigenação. Muitas fotos (Jorge andou pelo mundo), painéis de Carybé, textos bons de ler. Acho que foi uma bela introdução ao universo do escritor para quem não o conhecia muito bem.

Mas quem não o conhece de fato? Pode ser que as pessoas não tenham lido o que ele escreveu, mas conhecem seus personagens, como Dona Flor, Tieta, Gabriela, Vadinho e outros. O cinema e, em especial a TV, ajudaram nessa divulgação. Talvez a exposição tenha sido um incentivo legal para que as pessoas o leiam. Ou releiam. A prosa de Jorge é saborosa como um acarajé. Vale lembrar que a Cia das Letras está reeditando todos os seus romances, e de maneira caprichada, com textos introdutórios novos.

Depois de ver a exposição Jorge Amado, fui conhecer o resto do Museu – por incrível que pareça ainda não havia botado os pés lá. São Paulo faz a gente ficar na toca, por tédio, preguiça ou medo. É preciso reagir e sair à rua.

Achei muito interessante a aula e a experiência multimídia de contato com o idioma a que todos os visitantes têm direito. Trata-se apenas da exibição de um vídeo didático, de boa qualidade, narrado por Fernanda Montenegro, falando da misteriosa origem dos idiomas e de como o português se situa em relação às outras línguas.

Depois, a tal da experiência multimídia que é uma imersão no próprio idioma. Enquanto vozes famosas como as da própria Fernanda, Matheus Nachtergaele, Chico Buarque, José Miguel Wisnik e outras dizem textos consagrados da literatura brasileira e portuguesa, imagens são projetadas no ambiente, que vira uma espécie de planetário das palavras.

Não sei se a intenção de quem bolou era essa, mas o público sente-se como banhado no líquido amniótico do seu próprio idioma.

Uma experiência revigorante. Que, para mim, ainda teve um presente adicional: reencontrei lá o meu amigo Marcão, dos tempos dos bares e da universidade, que não via há trocentos anos. Falamos dos velhos tempos, de amigos comuns, vivos (a maioria, por sorte) e dos mortos. Aliás, os mortos sobrevivem nas nossas palavras, o que dá um certo sentido misterioso à esta visita ao museu.

Passear por São Paulo tem lá seus encantos.

 

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