As mil faces de Lewgoy
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As mil faces de Lewgoy

Luiz Zanin Oricchio

23 de novembro de 2011 | 14h35

O Lewgoy é como o mar; você passa aquelas primeiras ondas na arrebentação e depois é tudo tranquilo. Quem assim define o ator José Lewgoy (1920-2003) é seu amigo, o cartunista Chico Caruso.

A frase resume bem o sujeito com pecha de irascível, mas que se revela um doce de coco depois que a intimidade se estabelece. Visto de longe, Lewgoy parece mesmo um mar. Imenso, multifacetado, plural, cheio de contrastes e sempre igual a si mesmo – como descobriu Claudio Kahns, diretor de Eu Eu Eu José Lewgoy, documentário que estreia sexta-feira.

“Muita gente não conseguia atravessar essas primeiras ondas e chegar até o Lewgoy”, conta Kahns, que o conheceu em Lisboa onde o ator trabalhava em O Judeu, de Jom Tob Azulay. Kahns atreveu-se a enfrentar a arrebentação e os dois tornaram-se amigos. Lá mesmo, em Portugal, o cineasta percebeu como Lewgoy era famoso. “Era época da novela Dancing Days e ele era reconhecido na rua em Lisboa.” Pediam autógrafos e aplaudiam. A mesma coisa em Roma. “São poucos os atores brasileiros que tiveram esse reconhecimento internacional”, acredita Kahns.

Fama justificada por longa carreira, que começou na Universidade de Yale, na qual o gaúcho de Veranópolis José Lewgoy conseguiu bolsa de estudos graças à influência de Érico Veríssimo. O filme relembra esse período, o início da atividade na cena teatral norte-americana e o embarque de volta ao Brasil, talvez precipitado e no fundo lamentado por Lewgoy. Depois o trabalho nas chanchadas, nas quais se tornou o eterno vilão; em um clássico do cinema político como Terra em Transe, no qual faz o governador populista Vieira.

Um grande número de filmes, tendo contracenado com Oscarito e Grande Otelo, Cyll Farney e Anselmo Duarte e sido dirigido por cineastas como Glauber e Werner Herzog. Além deles, o teatro e mais de 30 anos de participação na programação da Globo são suficientes para tornar uma pessoa muitíssimo conhecida e amada pelo público.

E, assim, Claudio Kahns, depois de atravessar as ondas, marolas e correntezas contrárias da primeira aproximação com o ator, tornou-se íntimo e lhe propôs fazerem um documentário. Lewgoy se esquivava, rabugento: “Isso é para quem está com o pé na cova. Você quer que eu morra”. E a coisa parou por aí. Amigos, mas sem filme. Até que um dia, de surpresa, como era seu hábito, Lewgoy ligou para Kahns e disse que estava pronto para começar o documentário. Era o ano de 2002, mas em seguida Lewgoy ficou doente, foi internado e, meses depois, morreu. Não houve tempo de fazer o que haviam planejado, um filme em que fossem os dois juntos a toda parte, entrevistando amigos, familiares, produtores, gente de todo tipo que havia trabalhado ou convivido com ele.

O jeito foi fazer o filme de Lewgoy… sem Lewgoy. Por sorte, havia muito material a ser pesquisado. “Cem filmes, 23 novelas e algumas minisséries e cinejornais dos quais ele tinha participado”, conta Kahns. Havia também um longo depoimento dado à Fundação Roberto Marinho. Muito material, hoje em dia, é sinônimo de muito problema, por conta dos direitos autorais. Houve isso? “Negociei e tive de abrir mão de alguns materiais por conta dessas dificuldades; acho que o filme não se ressente. O Lewgoy essencial está lá.”

E está lá em momentos díspares, como convém a um perfil que recusa o elogio fácil. Lewgoy era egoico e temperamental. Era generoso e inteligente. Essas características contrárias afloram nas entrevistas com sua família em Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul. Era também grande, como constata um emocionado Werner Herzog ao recordar do ator que com ele trabalhou em Cobra Verde e Fitzcarraldo, no qual fazia um bilionário explorador da borracha em plena floresta amazônica. Herzog interrompeu suas férias na Floresta Negra para gravar o depoimento sobre o ator e amigo.

Lewgoy era diferente – nesse ponto todos estão de acordo. E por quê? “Parece que a formação sofisticada, sua cinefilia e cultura o levaram a trilhar uma carreira diferenciada”, arrisca Kahns. Lembra que o ator falava várias línguas, tinha morado nos Estados Unidos e na França, “Viajava muito e estava sempre up to date naquilo que acontecia pelo mundo”, diz o cineasta.

Esse conjunto de circunstâncias, aliado àquele plus indefinível chamado talento, produziu de fato um artista singular: Herzog dá um depoimento iluminador: “Há grandes atores, que podem fazer grandes ou pequenos papéis, não importa se são protagonistas ou coadjuvantes… Lewgoy era um deles”, de acordo com o cineasta alemão.

Ator de muitas faces e homem contraditório, ranzinza e generoso, Lewgoy era de fato único.

(Caderno 2)

Abaixo, a íntegra da entrevista com o diretor Claudio Kahns

 

1) Como você decidiu fazer um documentário sobre o Lewgoy? O que te interessava no personagem?

Fazer um filme sobre o Lewgoy era uma vontade que tinha há muito tempo; havia estado em contato com o Zé durante a filmagem de O Judeu, em Portugal, onde o conheci melhor. Ele tinha fama de mal-humorado, chato, mas longe disso, era alguém com humor muito refinado, uma pessoa de quem eu aprendi a gostar muito e também, paradoxalmente, pensei que se tinha gente que não gostava é porque ele certamente tinha suas qualidades, que acabavam incomodando algumas pessoas…preferi ouvir minha intuição do que a fofoca. Chico Caruso, grande amigo do Lewgoy, o definiu bem: “o Lewgoy é como o mar, vc passa aquelas primeiras ondas na arrebentação e depois é tranquilo”. Muita gente não conseguia passar essas primeiras ondas…Lewgoy era reconhecido nas ruas em muitos lugares; quando estivemos juntos em Lisboa, em várias ocasiões, as pessoas o reconheciam e o aplaudiam. Se iamos a um restaurante, era um burburinho, vinha logo alguém pedir autógrafo. No filme, Lewgoy conta que isso acontecia também em Roma, na época de Dancin Days…são poucos atores brasileiros que tiveram tanto reconhecimento internacional. Lewgoy tinha começado na Atlantida, passado por Terra em Transe, que para mim era um filme seminal; estava nas novelas da Globo; tinha filmado com Herzog. Como conhecia mais ou menos bem sua imensa trajetória e tinhamos ficado muito amigos, eu percebi que um filme sobre ele seria, além de merecido, interessante. Então, num certa altura, já nos anos 90, ele vinha muito a São Paulo e algumas vezes almoçava ou jantava na minha casa, conversamos algumas vezes de fazermos o filme. Ele rechaçava: “isso é pra quem já está com o pé na cova”, “você está querendo que eu morra…”, coisas do tipo, sempre meio bravo, mas claro que sempre com um certo humor… e dizia que iria começar a escrever uma auto-biografia, já tinha uma ou duas editoras interessadas…

Outro aspecto recorrente e que nos aproximava em nossas conversas era o judaismo, sua posição critica em relação a política israelense, ele achava que em vez do hebraico deveria se falar o yddish, não o hebraico, enfim, assunto não nos faltava…

Alguns anos depois, eu estava filmando um documentário no Maranhão, e ele me ligou perguntando se eu ainda estava interessado em fazer o filme sobre ele. Me disse que havia outros produtores procurando-o, mas ele queria fazer comigo. Imediatamente topei e ai começamos a preparar um projeto. A Br Distribuidora, da Petrobrás topou co-patrocinar pois contavamos com os demais recursos. Estávamos em novembro de 2002. Pouco depois, no final de 2002, Lewgoy sumiu, eu ligava, deixava recados e nada; eu não tinha nenhum outro número dele no Rio para checar, o celular ele não atendia e tinha me falado que iria passar o Reveillon em Porto Alegre, onde tinha família, que ficaria num hotel. Liguei pra o hotel mas ele não estava. Eu sempre falava com ele em sua casa e estava estranhando muito seu silêncio, até que soube pelos jornais que ele tinha sido internado num hospital no Rio. Ele saiu do hospital logo em seguida, em meados de janeiro, ai falamos e parecia que estava melhor, mas alguns dias depois voltou para lá e pouco depois, em 10 de fevereiro de 2003, morreu! Fiquei muito mal, porque antes de ser um personagem, ele era um grande amigo.

Nossa idéia era fazer o filme juntos, indo a todas as partes, fazendo as entrevistas com amigos, familiares, atores, diretores, produtores, gente que tinha trabalhado com ele. No princípio, também nem tinha pensado em dirigir, meu trabalho como produtor me absorvia demasiadamente, apesar de ter ficado um pouco ambiguo nisso.

Iriamos co-dirigir, eu seria produtor e co-diretor, certamente se ele estivesse vivo o filme teria sido outro. Sem ele, fiquei na dúvida, cheguei a convidar Guilherme de Almeida Prado, que também era muito próximo do Zé, mas Guilherme estava ocupado com outro projeto e declinou. Antes, porém, me disse: “porque você mesmo não dirige?” e ai comecei a pensar seriamente nessa possibilidade. Tomei coragem e finalmente decidi.

Uma vez decidido, precisava encontrar uma linguagem apropriada para o filme. E Lewgoy tinha escrito somente uma unica página de sua biografia, algumas poucas linhas, que aliás uso no filme.

Lembro que uma vez cheguei a enviar ao Rio uma jovem assistente para ajudá-lo a escrever a tal biografia, ele ditando as memórias, mas não deu certo, e ficou por isso mesmo…

2) Quais foram as principais dificuldades? Contato com ele, pesquisa de imagens?

À partir do momento que o Zé não estaria mais junto, fiquei com a imensa responsabilidade de fazer um filme que, no meu imaginário, Lewgoy “teria que” aprovar. Tinhamos falado de locais onde poderiamos filmar, pessoas a serem entrevistadas, mas superficialmente. A “coisa” iria acontecer mesmo quando tivessemos os recursos liberados.

Cheguei a fazer algumas filmagens com o Zé, mas de forma meio precária porque ainda não haviamos recebido nenhum financiamento, e então, com meus próprios recursos, (ele ainda estava vivo), banquei a ida de uma outra assistente com uma pequena câmera digital ao Rio para entrevistá-lo em sua casa, a partir de uma pauta que preparei; era meio como se fosse um rascunho. Filmamos também o aniversário dele de 80 anos, numa festa na casa da Eliana e Chico Caruso; e ainda, quando ele recebeu uma condecoração na Academia Brasileira de Letras, junto com Tonia Carrero.

Foram só essas três filmagens, que eu me lembre, o que na edição final não rendeu nem um minuto do filme…

Então, todos os materiais restantes tinham que vir da pesquisa, que foi longa e extenuante. Mas tive uma equipe bem organizada que ajudou muito nessa parte. O maior desafio era chegar aos 100 filmes, 23 novelas e algumas mini séries e cine jornais que ele tinha participado. Ele tinha dado também um longo depoimento, “Projeto Memória”, ligado à Fundação Roberto Marinho, que recupera a história da Rede Globo e que foi um material importante ao qual tivemos acesso. Enfim, muito material….e entrar em contato com os produtores ou detentores dos direitos, conseguir as autorizações e acertar os pagamentos. Foram mais ou menos 40 arquivos ou produtores diferentes com quem negociei e tive que abrir mão de alguns materiais por conta dessas dificuldades; mas acho que o filme não se ressente. O Lewgoy essencial está lá.

3) O lado mais egóico dele (que aparece no título) foi um fator limitante?

Como ele não participou das filmagens, esse lado egóico evidentemente não interferiu, apesar de aparecer nas entrevistas. Como iriamos fazer o filme juntos, claro que o resultado final seria bem diferente. O título tem esse componente de ego, mas também procura refletir sua diversas facetas, que extrapolam e muito, seu temperamente e seu ego.

4) Qual, a seu ver, seria, ou seriam, as principais características de Lewgoy como ator, que o distingue dos outros?

Não sei se saberia fazer essa distinção, mas me parece que a formação sofisticada, sua vontade de ser “único”, sua cinefilia e cultura o levaram a trilhar uma carreira diferenciada. Muito culto, falava várias linguas, o que certamente facilitou sua inserção em várias produções estrangeiras, filmadas no Brasil ou mesmo no exterior, quando vivia na França ou quando estudou teatro em Yale. Ele viajava muito e estava sempre “up to date” naquilo que acontecia pelo mundo. Certamente o conjunto desses fatores, aliados a seu talento, fizeram Lewgoy ser único. Muitas de suas pequenas participações, ele as transformava em grandes momentos.

5) Em sua opinião, quais foram os grandes momentos do Lewgoy, em especial no cinema? (no filme ele diz que foi em Ibrahim de Subúrbio), mas, e para você? Por quê?

Para mim, particularmente em “Terra em Transe”, onde faz o papel do Governador Diaz, e em “Fitzcarraldo”, onde faz o papel de um bilionário, explorador da borracha em plena selva amazônica. Nestes dois papéis ele marcou por sua capacidade de criar personagens absolutamente verossimeis e ao mesmo tempo extremados. Werner Herzog, que o adorava, dá um depoimento no filme, esclarecedor e apaixonado sobre Lewgoy e sobre seu papel, como personagem e como ator ao lado de Klaus Kinski.

Creio que esses dois papéis foram pontos altos de sua longa carreira. Como dizia Herzog, (falando sobre Lewgoy e suas disputas com Klaus Kinsky no set de Fitzcarraldo): “Há grandes atores, que podem fazer grandes ou pequenos papéis, não importa se são protagonistas ou coadjuvantes… Lewgoy era um deles!”. Outros momentos marcantes foram seus papéis como vilão nos filmes da Atlântida; ele ficou para sempre como nosso eterno vilão!

6) Qual o legado que o Lewgoy deixa para as novas gerações de atores, em termos de técnica, de concepção de trabalho e vida?

Sua trajetória não poderia ser mais singular, justamente por sua pluralidade…Lewgoy é um exemplo de perseverança e obstinação! Tinha tudo prá dar errado, entretanto, virou um de nossos maiores e mais completos atores. Para se ter uma idéia, Lewgoy veio de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, Veranópolis, onde na época de seu nascimento não havia nem luz eletrica! Lá, desde pequeno, surgiu seu interesse por teatro, fazia pequenas encenações. Mudou-se para Porto Alegre com 15 anos e depois da Guerra foi prá Yale, graças a Érico Verissimo e o consul americando em Porto Alegre. No inicio no Rio, para onde foi quando voltou de Yale em 1949, não tinha onde morar…dormia em bondes que faziam trajetos longos a noite…lavava suas roupas no estudio da Cinédia, onde filmava junto com Oscarito e Grande Otelo…morou na França 10 anos, onde fez alguns filmes e amizades com, entre outros, Jean Marais….enfim, creio que sua trajetória é um exemplo de superação e capacidade técnica. Nunca fazia dois papéis semelhantes, sempre criava personagens totalmente diferentes. Foi protagonista de “Ibrahim do Suburbio”, uma exceção, pois foi sempre coadjuvante. Acredito que todos que atuam ou trabalham ou trabalharam em teatro e cinema deveriam assistir e ver a trajetória deste grande ator brasileiro. Em termos técnicos, contrariamente aos teóricos da interpretação, ele compunha de forma intuitiva sempre seus personagens a partir de indicacões exteriores e os ia construindo.

Lewgoy foi um grande brasileiro e que a meu ver deve ser sempre relembrado e permanecer no Panteão dos grandes personagens da cultura brasileira. O Brasil tem excelentes artistas, dentre eles grandes atores; acho que é fundamental preservar nossa memória, sobretudo daqueles que tiveram uma trajetória relevante.

7) Em termos do resultado do filme, qual foi teu desafio ao propor um perfil de personagem tão multifacetado e por vezes ambíguo?

Essa foi a parte mais dificil: como montar esse quebra-cabeças? por onde começar? Cronologicamente, pelo final, pelo começo, pelo meio? Em blocos, épocas? Quais filmes? Quais amigos? Ter ou não um narrador? Quem poderia narrar a singular vida do Lewgoy senão ele mesmo? Cheguei a pensar em chamar o Hugo Carvana, mas depois desisti. Essas eram questões que me afligiam bastante. O debate permanente com a Marta Nehring, que cordenou a pesquisa e com a Mirella Martinelli, que editou o filme, acabaram por construir essa complexa arquitetura; com muitas idas e vindas, sequencias montadas e desmontadas, depois remontadas. Não foi fácil se desfazer de muitos materiais, mas tinhamos que optar, se não o filme ficaria com 5 horas… O maior desafio foi justamente pegar a essência de sua longa carreira de mais de 50 anos.

O filme se inicia com seu primeiro trabalho, feito com Tônia Carrero, que aliás dá um depoimento maravilhoso, a meu ver um dos pontos altos. O filme então passa por várias fases e acaba mostrando, através do Lewgoy e seus diferentes trabalhos, um panorama do cinema brasileiro, na segunda metade do século passado. Claro que nessa montagem, lidamos com todo tipo de materiais e suportes. Do 35mm, ao Umatic, ao digital, ao Beta e até a algumas coisa em Hi8, fotos e matérias de jornais. Isso dá uma textura ao filme que, de certa forma, corresponde às diversas épocas e situações. Não queria fazer um filme rigorosamente cronológico, até porque muitas vezes uma sequência chama outra, não necessariamente linearmente e cinematograficamente pode ficar mais interessante vc ir prá frente e voltar. E isso experimentamos bastante na edição. Tinhamos blocos temáticos, por exemplo Yale ou Terra em Transe; Veranópolis e amigos. Alguns tinham um lugar consolidado, outros iam mudando até encontrarmos o melhor lugar para cada um. Essa arquitetura variou bastante até cada sequência ir se ajustando e se consolidando em relação a seguinte ou a anterior. E fomos assim reformulando o roteiro inicial na edição; e por fim, o filme acabou dando inexoravelmente uma visão geral de como o cinema brasileiro evoluiu, desde o final dos anos 40 até os últimos trabalhos em que Lewgoy atuou, no início dos anos 2000.

8) Vai sair com quantas cópias? O que espera em termos de resposta de público?

O maior problema ao se lançar um documentário hoje é justamente encontrarmos esse público. Não temos, infelizmente, esse hábito muito arraigado entre os espectadores que frequentam as salas nem um circuito que possibilite realmente a fruição deste tipo de filme. A concorrência é muito grande. Vamos sair com uma ou duas salas em SP, o mesmo no Rio e em Porto Alegre. É uma pena que muita gente só vá ver o filme posteriormente na Tv ou até no DVD. Esse filme foi feito para ser exibido numa sala de cinema. É a história de um homem do cinema; gostaria muito que os estudantes de artes cênicas, de cinema e tv o vissem, assim como os atores e atrizes, para entenderem a vida de Lewgoy. Espero que quem vá, sinta que valeu a pena ter ido assistir, assim como valeu a pena o esforço para se realizar o filme. Mas realmente é uma pena não termos um circuito que exiba o filme em 50 ou 100 cidades, onde vc tenha pelo menos mil pessoas em cada uma dessas cidades interessadas num filme como esse, aparentemente sem maiores apelos comerciais, mas que a meu ver fala muito a cada um de nós do ponto de vista humano e cultural. Quando resolvermos essa equação, certamente o cinema brasileiro vai ganhar muito em termos de seu diálogo com o público.

(Entrevista inédita)

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