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As imagens e o jogo

Luiz Zanin Oricchio

29 Janeiro 2008 | 15h55

Muitos visitantes do blog discutem ainda o gol anulado do São Paulo. Afinal, foi falta de Adriano em William? Vi e revi o lance de todos os jeitos e ângulos possíveis. Ainda me parece legal. Vendo por trás, parece que Adriano empurra William. Mas não fica claro.

Acho que poderia rever mais cem mil vezes e não ficaria totalmente convencido de que o gol do São Paulo deveria ser anulado.

Quer dizer, nem sempre a imagem diz a última palavra. Como bem notou um dos visitantes do blog, podemos ver que um jogador encosta no outro. Mas não temos noção da intensidade com que o faz. Encostar no adversário é falta? Não. Empurrar é. Qual a diferença entre uma coisa e outra? A força empregada, e essa a imagem não pode medir.

Os jogadores estão cada vez mais conscientes dessas sutilezas e por isso corremos o risco de criar uma geração de boleiros cai-cai em campo. Valdívia de fato recebe marcação dura. Mas é também o melhor ator de sua geração. Pelo menos metade das faltas de que se queixa não seriam marcadas na Europa.

Mas muitos outros disputam a primazia com ele. Reparei no clássico de domingo como Richarlyson se jogava, ou pulava como se fosse uma mola, a cada vez que alguém simplesmente encostava nele. Num desses lances, jogou-se e rolou tantas vezes sobre si mesmo que quase saiu de campo.

Assim, a minha conclusão é: por mais que se melhore a tecnologia, por mais câmeras que tenhamos em campo, nada substitui o olho humano de uma pessoa próxima do lance.

A não ser em casos muito claros em que a câmera realmente pode ser útil e “objetiva”: uma dúvida sobre um impedimento ou se a bola realmente atravessou a linha do gol, por exemplo.

Fora isso, teremos de confiar no fator humano e levar em conta sua falibilidade. E teremos assunto para polêmicas sem fim. Apesar das câmeras.