Aruanda 2018: a primavera do cinema paraibano
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Aruanda 2018: a primavera do cinema paraibano

Cinema do Estado nordestino apresenta safra excepcional, com seis longas e mais sete por vir

Luiz Zanin Oricchio

10 Dezembro 2018 | 13h52

Cena de Rebento, com a atriz Ingrid Trigueiro

 

João Pessoa/PB

Como a maioria das pessoas que acompanha a programação do Fest Aruanda 2018, estou impressionado com a safra atual do cinema paraibano.

Para um Estado que raramente consegue produzir um longa-metragem, e cuja maior tradição encontra-se no cinema documental (Linduarte Noronha e Vladimir Carvalho são as figuras mais notáveis), a atual safra, que mescla documentários e ficção, é de encher os olhos. São seis longas-metragens, enfeixados na Mostra Sob o Céu do Nordeste e que vêm provocando a admiração dos espectadores de fora, como o crítico Jean-Claude Bernardet, que a classificou de “excepcional”.

São seis longas, como se disse, mas deveriam ser sete, pois o documentário consagrado ao grande Jackson do Pandeiro, dirigido por Marcus Vilar, não pôde ser apresentado com a questão dos direitos autorais de som e imagem ainda pendentes. Além desses filmes, outros sete devem chegar, até o próximo ano. Estão na boca do forno.

Os longas paraibanos em cartaz no Fest Aruanda são Beiço de Estrada, de Eliézer Rolim, Estrangeiro, de Edson Lemos Akatoy, O Seu Amor de Volta (Mesmo que ele não Queira), de Bertrand Lira, Rebento, de André Morais, Sol Alegria, de Tavinho Teixeira, e Ambiente Familiar, de Torquato Joel.

Há diversidade muito grande entre essas obras, que vão do ambiente regional tensionado por uma certa metafísica  (Rebento) a um intimismo místico à la Terrence Malick (Estrangeiro), até a ode libertária e dionisíaca de Sol Alegria, passando pelos bastidores de videntes e cartomantes em O Seu Amor de Volta.

Tal safra não configura, possivelmente, “movimento” clássico, uma poética estabelecida em cima de regras e posturas, mas sim um desses círculos virtuosos ocasionais, beneficiados pela soma de uma política de incentivo inteligente com a presença de talentos individuais.

Há que comemorar esse momento. Em seguida, será preciso estudá-lo. Por enquanto, fica o registro: prestem atenção na Paraíba. Mais adiante, quero escrever um texto mais completo e reflexivo sobre o tema.

Após o boom do cinema pernambucano, com o grupo Árido Movie e que teria seguimento em diretores como Kleber Mendonça Filho (de O Som ao Redor e Aquarius), depois do cinema mineiro com diretores como André Novais, Affonso Uchôa e outros, depois do coletivo cearense Alumbramento (que não existe mais), talvez tenha chegado a hora do cinema paraibano despontar no panorama nacional.

 

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