Aruanda 2016. ‘Divinas Divas’ é o melhor até agora
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Aruanda 2016. ‘Divinas Divas’ é o melhor até agora

Luiz Zanin Oricchio

11 Dezembro 2016 | 13h19

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JOÃO PESSOA
Já estamos no Aruanda, o festival do audiovisual, em sua 11 ª edição. O que se viu até agora, desde quinta-feira? Um breve resumo, abaixo:

O filme de abertura foi Axé – Canto de um Povo de um Lugar, doc de Chico Kertész sobre a música baiana, alterna redundância e bons momentos. Falta-lhe um eixo e, a partir de certo momento, parece que o diretor limita-se a empilhar informações, sem qualquer estrutura a orientar a montagem. Evita polêmicas e dissonâncias e, por isso, torna-se superficial. Não se ouve uma única música completa a não ser no créditos finais. Passou fora de concurso.

Divinas Divas, primeiro concorrente, de Leandra Leal, ótimo doc sobre o mundo de espetáculos com travestis. Respeito aos personagens, percepção de que os bastidores às vezes fornecem melhores histórias do que o palco, ótima fotografia e imersão sem preconceitos num mundo afligido por eles. Bela estreia da atriz na direção.

Fica mais Escuro Antes do Amanhecer, de Thiago Luciano, também intérprete principal. Cheio de citações e estilemas, as primeiras imagens destinam-se a tornar o público consciente de que aqui se trata de um “filme de arte”. Então é para ser levado a sério, viu? A história é a de um casal que sofreu uma grande perda e muda-se para um lugarejo que alterna frio polar e temperaturas africanas. Misto de crise pessoal e denúncia contra mudanças climáticas induzidas pela civilização, não encontra rumo entre as suas partes e vive de alguns talentos individuais, como Caco Ciocler, que faz um caricato dono de uma fábrica de gelo. O tempo custa a passar.

Na Mostra Sob o Céu Nordestino, criada este ano:

Pedro Osmar – Prá Liberdade que se Conquista, de Eduardo Consonni e Rodrigo Marques. Bom doc sobre o músico criativo Pedro Osmar, pouco conhecido fora do circuito. Tendo adotado a viola como primeiro instrumento, ele se torna multiinstrumentista, fabrica seus próprios instrumentos e é um ator de si mesmo no filme. Uma descoberta.

Cícero Dias, o Compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho. Este é filme de um mestre, Vladimir, nascido na Paraíba e radicado em Brasília. Refaz o percurso do pintor Cícero Dias, nascido no Recife e que viveu boa parte de sua carreira no exterior. Está enterrado na França. Doc consistente, com eixo, estudo, coerência, ótima fotografia (Jacques Cheuiche e Walter Carvalho). Dedica-se mais à vida de Cícero que sua à sua obra, porém.

Até agora foram apresentados os curtas O Bailarino, Aquela Rua Tão Triunpho, Xavier, Lá do Alto, Noite Púrpura, Quando Parei de me Preocupar com Canalhas. Alguns já conhecidos de outros festivais. Quando Parei de me Preocupar com Canalhas, de Tiago Vieira, resiste a uma revisão, com sua sátira do homem de esquerda (Matheus Nachtergaele) atormentado por amigos autocríticos ou a parte direitista da sociedade (esta genialmente representada por um taxista interpretado por Paulo Miklos). Com o agravamento do caos institucional brasileiro pós-impeachment ganha nova e mais rica leitura.

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