As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Arraes e a Batalha de Argel

Luiz Zanin Oricchio

14 de outubro de 2006 | 15h32

Esta ótima história me foi contada (via e-mail) pelo amigo Aurélio Vianna. Partilho-a com vocês, com autorização do autor:

“Caro Zanin, espero que você esteja bem.

Hoje fiquei lendo o que apareceu na internet sobre A Batalha de Argel, pois gosto muito do filme e queria saber mais sobre seu diretor.
Encontrei seus textos e lembrei-me de uma conversa com o saudoso Dr. Miguel Arraes, com quem tive a honra de trabalhar por pouco mais de dois anos… Dr. Arraes adorava a Argélia e a história da Argélia…
Conversávamos sempre sobre o período em que ele esteve exilado em Argel. Durante uma dessas conversas, Dr. Arraes contou-me que estava em Argel quando da filmagem de A Batalha de Argel (1965) quando soube – ou
presenciou? – o seguinte: Durante a filmagem (realista) da ação de repressão dos franceses à resistência, o diretor precisou que tanques de guerra cercassem o Palácio de Governo… o que foi feito.Concomitantemente à filmagem, ocorria um golpe de estado contra o famoso presidente argelino Ben Bella (1963-65).

O militar golpista – Cel. Houari Boumédienne (ex) aliado de Bella na FLN – entrou no Palácio e,aproveitando “mobilização de tropas – tanques” decorrentes da filmagem ameaçou a guarda presidencial: “o Palácio está cercado, podem ver pela janela os tanques nas ruas, rendam-se para não haver derramamento de sangue”. Os tanques “cenográficos” realmente estavam nas ruas e parecem ter tido um efeito político-militar imediato. O Golpe de Estado foi um sucesso,o presidente Bella foi deposto e esta ficção cinematográfica quase documental parece ter se misturado à realidade também de outra maneira…

Infelizmente, não tive oportunidade de voltar a esse assunto com Dr. Arraes,mas sempre que tenho portunidade procuro verificar quanto desta história tão nteressante e contada com tanta inteligência guarda de realidade Histórica…”

Comentário meu: como diziam meus ancestrais italianos, “si non è vero é ben trovato”. Mesmo se não for verdadeira, a história é ótima. E um filme também se faz da mitologia que se cria em torno dele.
Há outras histórias, estas documentadas, sobre Batalha de Argel. Uma delas:o realismo do trabalho de combate aos guerrilheiros (inclusive as torturas mostradas) era tanto que a CIA usava o filme em suas aulas para instruir os agentes sobre a melhor maneira de lutar contra subversivos. A vida imita a arte. E vice-versa.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.