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Apollonide

Luiz Zanin Oricchio

21 de janeiro de 2012 | 10h18

Em francês, um bordel chique é chamado de “maison close”. Pois bem, L’Apollonide é a história de uma dessas casas fechadas e Bertrand Bonello adota uma linguagem também fechada e circular para descrevê-la. Ou melhor, para compreender esse microcosmo, do ponto de vista das moças que nele trabalham e dele sonham um dia sair, depois de acertar suas contas com “madame”.

Se você espera julgamentos morais ou uma percepção vitimizada da prostituição, esqueça. Bonello (autor de filmes como O Pornógrafo e Tirésias) se coloca mais à espreita da rede de desejos que compõe as que trabalham na casa e seus clientes que em posição de denúncia simplista. Afinal, se há sofrimento entre elas, há também gozo, cumplicidade e uma alegria estranha, talvez compensatória, mas mesmo assim alegria.

Bonello insiste também no ritual cênico que cerca todo o exercício da prostituição de luxo. As moças se preparando para a noite são como atrizes no camarim, prestes a entrar num palco onde encenarão desejos e fantasias a troco de dinheiro. O filme é rigoroso e belo. Usa música anacrônica, como a sinalizar a permanência da prostituição através dos tempos, o que a cena final não desmente.

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