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Aos leitores adultos

Luiz Zanin Oricchio

11 Março 2007 | 13h13

Queria muito agradecer aos leitores-comentaristas que enviaram suas listas de livros fundamentais para este blog. Pelas listas deles pude ver o tanto que faltava na minha – aliás, assumidamente incompleta, feita num momento de ócio na Serra do Japi, sentado na cama, com o computador apoiado nas pernas. Nem pensei que esse post pudesse dar alguma polêmica, porque era apenas uma evocação amorosa e não uma indicação de “melhores”. Apenas livros que, clássicos ou não, tinham influído na minha maneira de ver o mundo. Mesmo assim, como pude deixar de fora O Vermelho e o Negro, por exemplo? Não coloquei Crime e Castigo, embora Dostoievski seja fundamental. E, como não falei de poesia, deixei de lado o grande Fernando Pessoa. Mas poderia ter lembrado de O Livro do Desassossego. Enfim, precisaria de um ano para fazer uma lista “completa”, ainda que pessoal.

E mesmo assim alguém pegaria no meu pé, porque, ao que parece, pegar no pé dos outros faz parte da “cultura blogger”, à qual vou me adaptando aos poucos. Tenho de aprender que tudo que se escreve pode ser usado contra você – e que você é culpado até prova em contrário. Por exemplo, escrevo uma amena (a meu ver) crônica sobre charutos cubanos e sou acusado de induzir incautos ao tabagismo. Esperava que os leitores vissem um pouco além. Por exemplo, a historinha com Kennedy me parece conter alguns elementos que transcendem o mero hábito ou vício de fumar. É uma história humana. Enfim, a gente escreve e cada um lê o que quer. Temo dizer que daqui a pouco pretendo comer um bacalhau e beber uma taça de vinho branco e ser tachado de apologista do alcoolismo. Amigos: escrevo para adultos, não para crianças influenciáveis. Viva e deixe viver, é o meu lema, um dos poucos que tenho.

Mas, feitas as contas, o saldo é sempre positivo, embora o processo às vezes seja desgastante. Gostei dos comentários pertinentes, e das lembranças oportunas de livros hoje um pouco esquecidos como Os Thibault –aliás, como edito o Caderno de Cultura, pautei o Gilles Lapouge para fazer aquela matéria na época de lançamento dos três volumes no Brasil, e essa foi a matéria de capa. Lembrou-se dela o leitor César Murilo Jacques, que termina o comentário me chamando de boçal. Mas deve ser uma pessoa amável que, numa conversa pessoal, jamais usaria esse termo. Já na internet…vale tudo, não é? Um dia, talvez, iremos nos civilizar, na rede também. São meus votos para um domingo feliz.

Agora, vou sair para a minha bacalhoada. E vou acompanhá-la com água mineral, está bem assim? Sem gás.