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Ao vencedor, as batatas

Luiz Zanin Oricchio

22 de abril de 2008 | 13h54

Não sei (ninguém sabe) como vai terminar o Campeonato Paulista. Mas que as semifinais já valeram a pena, quanto a isso não há dúvida. Há quem diga que Ponte 2 x Guará 1 foi o melhor jogo do campeonato, pela emoção, técnica e futebol ofensivo apresentado. Se não foi o melhor, foi um dos melhores. E Palmeiras 2 x São Paulo 0 também foi uma delícia de se assistir. Desde que o espectador não fosse são-paulino, é claro.

Com Ponte e Palmeiras disputando a final, cabe projetar. Quem é o favorito? Vamos ser claros: seria hipocrisia ignorar que o Palmeiras tem mais chances. Por diversos motivos. Primeiro, porque precisa de dois resultados iguais. Segundo: jogador por jogador, tem mais time, fruto de investimento maior. Além disso, apesar do ótimo trabalho de Sérgio Guedes, Luxemburgo ainda faz a diferença, coisa que nem sempre se está disposto a admitir dado o número de antipatias que ele angariou na mídia esportiva. Por fim, a Ponte entra muito desfalcada, em especial para o primeiro jogo, em casa, quando precisará fazer a vantagem para depois decidir no campo do adversário. Perdeu o volante Elias e o meia Renato, além do lateral Eduardo Arroz, suspenso. Ausências consideráveis.

Com tudo isso a favor, ainda acho que o Palmeiras terá de ralar como gente grande para despachar a Ponte. Isso significa levar a decisão muito a sério, e a partir do primeiro jogo, provavelmente no Moisés Lucarelli. Se deixar para resolver no Parque Antártica, poderá correr riscos. Mesmo porque, apesar dos desfalques (alguns deles voltam para o segundo jogo), a Ponte está longe de ser um time fácil de se bater. Sem falar no Aranha, que está pegando tudo. Uma coisa se sabe: será decisão entre times que gostam do futebol bem jogado e tratam a bola com carinho. Lucro certo para todos nós, vença quem vencer.

ESTILOS

Um personagem de Machado de Assis usava sempre a seguinte frase: “Ao vencedor, as batatas.” Queria dizer que quem ganha tem todas as razões e, a quem perde, só resta chiar. Digo isso, porque, depois da derrota, já começou o falatório acerca das limitações de Muricy Ramalho e sua maneira monocórdia de jogar. Bem, até agora ela vinha dando certo, embora todos notassem que o São Paulo já não tinha a mesma consistência do ano passado. Já havia uma certa “fadiga do material” detectável no Tricolor, que precisa se reciclar, mas não necessariamente trocando de treinador. Muricy é resmungão e competente. Monta o time com o que tem, como todos.

Agora, também era fácil de ver que Luxemburgo havia criado um time de características bem diferentes. Maleável, versátil, com a bola correndo mais pelo chão, de pé em pé, do que pelo alto. Um time possível também em função dos jogadores que trouxe e se adaptam bem a esse esquema. Não por acaso, Luxa se diz inspirado pela seleção de 1970 e pelo Flamengo campeão do mundo. Times que tinham volantes de categoria (e não meros marcadores), grandes meias e jogavam sem centroavantes fixos, postados dentro da área. Isso não é dogma. Apenas um estilo que fez sucesso em sua época, e se impôs como modelo porque venceu. É mais do que legítimo inspirar-se nele. E, cá entre nós, esse é o futebol que amamos e não aquele eterno chuveirinho sobre a área, que parece futebol alemão ou inglês. Ou pelo menos como eram essas duas escolas antes da globalização da bola.

(Coluna Boleiros, 22/4/08)

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