Antonio Candido e o cinema
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Antonio Candido e o cinema

Grande escritor e crítico, professor da Universidade de São Paulo e fundador do Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, completaria 100 anos em 24 de julho

Luiz Zanin Oricchio

18 de julho de 2018 | 11h14

Bela capa do Caderno 2 de hoje, lembrando o centenário de Antonio Candido de Mello e Souza. Texto principal de sua discípula, Walnice Nogueira Galvão.

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Candido é uma das nossas referências maiores – e coloco o verbo no presente porque, apesar de o professor ter nos deixado ano passado, sua obra permanece, viva, intensa, desafiadora. E inspiradora.

A influência de Candido, a meu ver, vai além do âmbito literário, no qual se concentra a maior parte da sua obra. É que algumas ideias seminais podem ser transpostas, com a devida cautela, de um campo a outro.

Me parece ser o caso dos três eixos sobre os quais se desenvolve aquela que talvez seja a sua obra maior – Formação da Literatura Brasileira.

Seriam, citando Walnice: “Primeiro, a literatura brasileira nasce da adaptação dos modelos europeus, sobretudo português, para atingir maioridade e autonomia. Segundo, esse processo expressa o desejo dos brasileiros de possuírem uma literatura própria, que foi esforçadamente construída passo a passo. Terceiro, as relações entre o literário e o extraliterário importam na medida em que o externo se interioriza e se torna elemento de construção da obra.”

Ora, me parece aí uma trajetória de “formação” bastante similar à do cinema brasileiro. Este surge nos moldes de modelos externos até firmar voz própria. Nasce do desejo (muitas vezes “insensato”) dos brasileiros de terem o seu próprio cinema. Há uma relação entre o interno (o específico fílmico) e o externo (a sociedade), relação dialética porque o externo (o contexto) se infiltra na forma como elemento de construção da obra.

+++Os 90 Anos do Crítico

Se alguém reconheceu aí alguma semelhança de fundo com o pensamento de Paulo Emilio Salles Gomes, o nosso maior crítico cinematográfico, acertou. Antonio Candido e Paulo Emilio foram amigos de praticamente a vida toda, e junto com outros como Ruy Coelho, Lourival Gomes Machado e Décio de Almeida Prado, fundaram e escreveram na Revista Clima e depois no Suplemento Literário do Estado de S. Paulo, até hoje marco insuperado do jornalismo cultural deste País.

+++Os 100 anos de Paulo Emilio

Candido é atualíssimo. Ler ou reler sua obra é a melhor maneira de homenageá-lo em seu centenário. Seja você crítico literário, de cinema, ou mero apreciador dessas artes e da cultura em geral. Ah, sim, apesar de tratar de temas muito complexos, Candido escrevia de forma simples, límpida, uma prosa dirigida aos leitores.

PS. As relações de Candido com o cinema iam além dessas questões teóricas. Em certa época, dirigiu a Cinemateca Brasileira, criada por seu amigo Paulo Emilio. Tive a honra de mediar um debate de lançamento da caixa Jean Vigo (filmes e mais os dois livros de Paulo Emilio dedicados a Vigo e seu pai, Almereyda) com Antonio Candido, Lygia Fagundes Telles e a neta de Vigo. No Cinesesc, anos atrás.

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