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Anselmo Duarte

Luiz Zanin Oricchio

07 de novembro de 2009 | 11h33

Morreu hoje Anselmo Duarte, aos 89 anos. Não há como escrever sobre ele sem dizer que é o único brasileiro, até agora, a receber uma Palma de Ouro no Festival de Cannes. Anselmo ganhou, em 1962, com O Pagador de Promessas, baseado na peça de Dias Gomes. A turma do Cinema Novo, então dominante, não gostava, mas, revisto, mostra-se um belo filme, de feitura clássica. Visualmente bonito, deve muito à fotografia de Chick Fowle, um craque inglês importado pela Vera Cruz. E, claro, a interpretação magnifica de Leonardo Villar como Zé do Burro, o homem que tem de cumprir a promessa e entrar com a cruz na igreja, em oposição ao padre. O filme tem seu lugar de honra na história do cinema brasileiro, e isso independente do prêmio que o consagrou. Prêmio, aliás, obtido num festival em que Anselmo tinha concorrentes como O Eclipse, de Michelangelo Antonioni, e O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel. Anselmo também dirigiu um bonito Vereda da Salvação, o interessante Absolutamente Certo e foi galã na época da Atlântida e da Vera Cruz. Teve vida longa e plena. Que receba as nossas homenagens.

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