Ana Carolina é a única realizadora brasileira lembrada pelos ‘Cahiers du Cinéma’
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Ana Carolina é a única realizadora brasileira lembrada pelos ‘Cahiers du Cinéma’

A edição dos meses julho-agosto da revista francesa Cahiers du Cinema foi consagrada às “realisatrices”, às mulheres diretoras de cinema. Ana Carolina foi lembrada por sua trilogia radical dos anos 70 e 80. 

Luiz Zanin Oricchio

12 de agosto de 2019 | 18h48

A edição dos meses julho-agosto da revista francesa Cahiers du Cinema foi consagrada às “realisatrices”, às mulheres diretoras de cinema. A revista elaborou uma lista cronológica, começando pelos anos do cinema mudo (até 1930) e indo até 1999. Muito boa edição da tradicional revista de cinema. A única presença brasileira é a da diretora Ana Carolina

A lista é estruturada em formato de pequenos verbetes crítico-biográficos sobre as diretoras. No de Ana Carolina, lemos a admiração do crítico Jean-Philippe Tessé pela trilogia formada por Mar de Rosas (1978), Das Tripas Coração (1982) e Sonho de Valsa (1987). Segundo o crítico, trata-se de uma obra “explosiva”, a cavalo entre a ditadura militar e a transição democrática. Destaca seus traços exasperados e o diálogo constante com o surrealismo e com a pornochanchada. 

Afirma que, depois da trilogia, a realizadora fará ainda outros filmes, mas que “talvez sua verve frondosa tenha encontrado sua melhor expressão quando o país se encontrava sob as botas militares.” Não é impossível. Ditaduras são horrorosas, mas a resistência a elas às vezes é profícua. 

Apenas senti falta de uma citação a Amélia (2001), filme em que, a meu ver, Ana Carolina reencontra seu melhor pulso. Além disso, faz uma menção importante à cultura francesa e seu problemático encontro com a cultura brasileira, relatando uma desastrosa viagem de Sarah Bernhardt ao Rio. O trópico devora a cultura europeia, num diálogo reatualizado com a antropofagia. Não sei se Tessé conhece a obra. 

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