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Amigas com dinheiro

Luiz Zanin Oricchio

10 Novembro 2006 | 16h52

É um sitcom metido a inteligente mas que não deixa de ter qualidades. As quatro amigas do filme dirigido por Nicole Holofcener são muito heterogêneas. Frannie (Joan Cusak) é bem casada, pelo menos em aparência. Christine (Catherine Keener) e o marido são roteiristas de televisão e driblam a crise matrimonial com o excesso de trabalho. Jane (Frances McDormand) é um tipo ideal de estressada e agressiva, ao passo que seu marido é tão delicado que todos pensam que é gay enrustido. Olivia (Jennifer Aniston) é a descasada do grupo. Ainda por cima pobre, ganha a vida como faxineira e procura o homem ideal como um afogado atrás de um tronco flutuante.

O ambiente é Los Angeles e, apesar das dificuldades, vive-se um clima charmoso, com boas comidas, boas conversas e frases espirituosas. As atrizes são ok, e, com tudo isso, pode-se pensar num daqueles filmes americanos “independentes”, esse já um tanto velhusco clichê. Quer dizer, o oposto dos filmes da indústria, destinados a adolescentes apressados, pouco dispostos à reflexão e à deglutição de conflitos. O cinema da indústria é o do entretenimento; o independente seria onde se respira a América real.

Claro que esse esquematismo é, ele também, um clichê entre outros. Mesmo contra a vontade há sinais de inteligência na indústria. E, por outro lado, poucas vezes o cinema dito independente realmente o é. Isso não quer dizer que Amigas com Dinheiro não tenha qualidades, a começar, como já se disse, pelas atrizes. A história, apesar da complacência, não deixa de tocar em alguns pontos interessantes e nem tão anódinos, como a crise da meia-idade e o papel do dinheiro na vida americana – de resto na vida de qualquer lugar, mas lá com alguma ênfase a mais.

É claro que o filme procura ser divertido, e consegue, às vezes. Pretende ser crítico, e também o faz se não levarmos esse termo muito longe. E tenta misturar crítica e ternura pelos personagens, o que realiza, em doses moderadas. Apesar de parecer mais inteligente do que de fato é, pode ser um entretenimento agradável. E moderadamente estimulante. Pouco além disso. Não vai além das camadas superiores, da crosta social, por assim dizer.

Se quiser ler também a minha crítica do filme de Martin Scorsese, Os Infiltrados, clique aqui.