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Alguns palpites sobre o Oscar

Luiz Zanin Oricchio

26 de janeiro de 2011 | 17h46

A maneira fácil de interpretar as indicações ao Oscar 2011 seria dizer que O Discurso do Rei sai na frente como favorito. Nada mais natural, uma vez que concorre em 12 categorias, um espanto numérico. Acontece que nem sempre as indicações se materializam em prêmios, daí que essa história britânica da gagueira do rei Georges VI pode muito bem se revelar um furo n’água no dia da premiação. O certo é que deve render a estatueta ao ótimo Colin Firth, que já abocanhou o Globo de Ouro. Também mostra que as produções acadêmicas da Inglaterra, faladas com puro acento british, exercem fascínio permanente sobre os votantes da Academia. Uma espécie de tributo cultural que a ex-colônia paga à corte.
Em termos de indicações, Rede Social (uma versão ficcional sobre a invenção do Facebook), que arrebentou no Globo de Ouro, sai um pouco atrás: fica com oito, junto com A Origem, blockbuster-cabeça de Christopher Nolan. Detalhe: Nolan não está indicado entre os diretores, o que limita as possibilidades do filme. Em geral, filme e diretor fazem par, na vitória. Há exceções.

Tanto A Origem como Rede Social perdem, de saída, para um remake, a nova versão de Bravura Indômita, que ficou com dez indicações, inclusive de ator (Jeff Bridges) e diretor (os irmãos Coen). Os Coen ganham de novo, depois de Onde os Fracos Não Têm Vez? Difícil.

Há outros que correm por fora, como o supervalorizado Cisne Negro, o melodrama Minhas Mães e Meu Pai, ou até o desenho animado Toy Story 3, para muitos o melhor filme do ano. Em sua lista de preferidos, Quentin Tarantino cravou Toy Story em primeiro lugar. Não seria um prêmio despropositado. E o fato é que as zebras se tornaram cada vez mais possíveis com a decisão da Academia de indicar dez concorrentes ao melhor filme do ano. Os votos se pulverizam, favoritos se dividem e azarões podem entrar pelos flancos.

Dentro dessa margem de incerteza, talvez a Academia tenha de se decidir por um drama histórico com superação pessoal, como é o caso de O Discurso do Rei, e o registro um tanto verborrágico da assustadora alienação contemporânea, como é o de Rede Social. O que sensibilizará mais os votantes? O tema atual ou a evocação histórica? É o que vamos descobrir dia 27 de fevereiro.

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