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Alberto Guzik se foi

Luiz Zanin Oricchio

26 de junho de 2010 | 19h17

FORTALEZA – Estou eu dando uma olhada no meu twitter quando recebo a notícia terrível – Alberto Guzik se foi. Morreu, aos 66 anos, de câncer. Busco a notícia e descubro que ele havia sido operado e que depois morreu porque o câncer de estômago voltou, e se espalhou.

Alberto Guzik foi um magnífico crítico de teatro e convivemos muitos anos dentro das redações do Grupo Estado, ele no Jornal da Tarde, eu no Estadão. Éramos um grupo muito próximo, Edmar Pereira, Guzik, Merten e eu. Brincávamos muito uns com os outros, tirando sarro se um gostava de alguma coisa (peça ou filme) que o outro detestava. Foi uma convivência agradável e riquíssima do ponto de vista intelectual. Gente inteligente e sensível nos melhora.

Edmar morreu, e Guzik permaneceu alguns anos mais no jornal. Saiu numa dessas reformas que entendem que os grandes textos já não interessam ao jornalismo contemporâneo. Foi se dedicar de corpo e alma à sua paixão, o teatro. Eu seguia sua carreira à distância. Encontrei-o pela última vez faz alguns meses no Shopping Frei Caneca, onde existe uma escola de teatro na qual Guzik dava aulas. Me parecia bem, conversamos um pouco e fomos cuidar da vida.

Li de Guzik um belo romance semiautobiográfico chamado Risco de Vida. Lê-se de uma vez, uma longa e única tragada, de um fôlego, tamanha a capacidade narrativa do autor, embora seja um livro grande, de umas 400 e tantas páginas. Lá está a sua vida, real porém transfigurada, numa São Paulo que é a de todos nós, na qual estamos sempre no meio de tantas pessoas, e enfim, sempre solitários.

Guzik, como dramaturgo, gostava de evocar Dioniso. Eu também. Evoé.

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