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Ainda Orangotangos

Luiz Zanin Oricchio

22 de janeiro de 2008 | 11h33

TIRADENTES

Não sei se o filme de Gustavo Spolidoro é tão bom como andaram me dizendo seus admiradores ou tão ruim quanto afirmam seus detratores. O que sei é que me diverti bastante com as histórias anárquicas de Ainda Orangotangos, filmadas num único plano-sequência. Quinze personagesn em 14 horas de um dia-noite em Porto Alegre, que na tela se resumem a 81 rápidos minutos.

O público que ficou no Cine Tenda até 1h da manhã adorou. Era uma platéia predominantemente jovem e se divertiu com as situações absurdas criadas por Spolidoro e sua câmera esperta. Algumas delas: um casal de japoneses chega a Porto Alegre num trem. Ela dorme, ele tenta despertá-la e não consegue. Será que está morta. Ele pega a bagagem e se manda, deixando a mulher abandonada. Outra: duas lésbicas discutem futebol num ônibus e são observadas por um sujeito fantasiado de Papai Noel. Mais uma: um homem invade uma festa de debutantes para tirar satisfações com a aniversariante. Tudo fica entre o trágico e o cômico.

Eu também ri, como disse, mas, na saída, não pude evitar pensar em André Bazin e sua ética do plano-seqüência, que havia ido pelo ralo havia pouco nessa tela de uma cidade barroca mineira.

De qualquer forma, é um filme inquietante, que merece ser visto.

Spolidoro é um sujeito de grande talento. Quem vê a sua cara de meninão, mal consegue imaginar quanta loucura vai por aquela cabeça. Junto com muita criatividade.

Agora, que o filme é problemático, lá isso é.

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