Ainda o Cine Ceará: uma edição especial
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Ainda o Cine Ceará: uma edição especial

Os destaques da 29ª edição foram a forte politização e a qualidade e quantidade da produção cinematográfica cearense

Luiz Zanin Oricchio

10 de setembro de 2019 | 09h23

 

 

Matheus Nachtergaele: prêmio e fala potente/foto de Chico Gadelha

Premiação à parte, o 29º Cine Ceará entra para a história por dois motivos principais: a exposição da excelente fase do cinema cearense e a tensão política que percorreu o evento, da festa de abertura à cerimônia de encerramento. 

O festival começou com a exibição fora de concurso de A Invisível, do cearense Karin Aïnouz, vencedor da mostra Um Certo Olhar, em Cannes, e escolhido pelo Brasil para disputar uma vaga no Oscar. Fechou com o também hors concours Pacarrete, dirigido pelo cearense Allan Deberton, que arrebatou oito troféus no badalado Festival de Gramado. 

Ao longo do festival foram exibidas 29 produções do Estado, entre curtas e longas-metragens. A generosidade da safra levou os organizadores a abrir espaço para as produções locais na Mostra do Ceará, três longas e dezessete curtas-metragens em competição. 

Essa primavera do cinema cearense floresceu ano passado na Paraíba e promete repetir-se em outros Estados do país – apesar do mau tempo anunciado pelo governo federal. Mesmo em São Paulo, durante a cerimônia de entrega do Grande Prêmio Brasil de Cinema, no Theatro Municipal, o prefeito Bruno Covas garantiu que o cinema paulista não se curvaria a censuras e “filtros” morais. Verbas para produção foram prometidas, apesar da crise econômica. 

Tudo isso dá alento à comunidade cinematográfica, que nem por isso arrefece em sua militância oposicionista. Desde o primeiro dia até o último, sem faltar a uma única sessão, nem aos debates dos filmes, a reafirmação da liberdade e da importância da cultura estiveram presentes na fala de diretores, atores, atrizes e técnicos. Como disse a grande Fernanda Montenegro na noite de abertura no Cine São Luiz: “O Brasil vai vencer pela arte”. Na cerimônia de encerramento, o ator Matheus Nachtergaele, homenageado, deu seu recado político, aplaudido com entusiasmo pelo público: “Não somos um país ultra-capitalista, não somos um país neo-pentecostal, militar ou miliciano”.

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