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Ai, Libertadores…*

Luiz Zanin Oricchio

14 de fevereiro de 2012 | 17h34

A Libertadores da América, que já havia começado para três times brasileiros, inicia esta semana para os paulistas, e também para o Flamengo. Dos três, em aparência, é o Corinthians que chega em melhores condições, como se tem visto por seus últimos jogos – e também se observou no clássico contra o São Paulo. É o time mais equilibrado entre todos. O Flamengo, para falar a verdade, é uma incógnita. No domingo parecia apenas alegria, com Joel no banco e a estreia de Vagner Love. Mas é time bipolar, para usar a terminologia da hora. Capaz de alternar euforia e depressão em instantes.

 

Já o time de Tite é um relógio de boa marca. Joga da mesma maneira, faça chuva ou faça sol. Pratica o idêntico estilo que lhe deu o título de campeão brasileiro no ano passado. Tem a defesa menos vazada do Paulistão, meio de campo sólido e ataque que, se não chega a empolgar, também não deixa de fazer seus golzinhos para conseguir as vitórias. É um time que sabe o que quer. Não encanta, porém é confiável.

A grande incógnita em relação ao Corinthians é de ordem psicológica. Até onde ele se deixará influenciar pela Síndrome da Libertadores? Ou seja, pelo fato de nunca haver vencido o torneio continental e ter sido desclassificado em duas situações traumáticas, contra o River Plate e contra o Tolima? Talvez tenha, sob a direção de Tite, aprendido na dor que uma derrota, por contundente que seja, nunca é definitiva. Há sempre um outro jogo a nos aguardar mais adiante. Outro ponto, fundamental, e este ainda por ser testado, é ver se a obsessão pela Libertadores pode atrapalhar o equilíbrio de time tão senhor de si. Pode acontecer. Quando se transforma alguma coisa em obsessão, às vezes é mais difícil conquistá-la. Por quê? Por uma razão muito simples – porque o emocional começa a pesar demais. Para o Corinthians, a melhor maneira de disputar a Libertadores seria simplesmente jogar como vem fazendo. De maneira simples, solidária e prática. A conquista, se for o caso, virá da aplicação normal de uma filosofia de jogo, essa mesma que vem dando certo. Tem de vir com naturalidade.

Neymar. Já o caso do Santos é bem diferente. É o atual campeão, disputa seu quarto título. Não tem uma equipe tão equilibrada quanto a do Corinthians, mas conta com seus pontos fortes. Aliás, tem um ponto forte, que é Neymar, o garoto que pode desequilibrar qualquer jogo (mas colocar tanta responsabilidade nas costas de um rapaz de 20 anos pode ser uma temeridade). A defesa é fraca e Ganso, uma incógnita. A pressão – se ela existe – reside no fato de ser o ano do centenário, quando mais uma conquista de Libertadores teria alto peso simbólico.

O caso, para o Santos, é saber se a sova levada do Barcelona no Mundial já foi assimilada ou ainda tem alguma influência negativa sobre a autoconfiança do time. A meu ver, são águas passadas. A rotina dos jogos já se impôs e algumas vitórias fáceis no Paulistão podem ter funcionado com cicatrizantes da ferida. É o que se verá amanhã contra The Strongest que, de forte, tem mesmo é a altitude de La Paz. E só.

* Coluna Boleiros, publicada hoje no Caderno de Esportes do Estadão

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