Adeus ao historiador Joel Rufino dos Santos (1941-2015)
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Adeus ao historiador Joel Rufino dos Santos (1941-2015)

Intelectual era um dos grandes defensores da cultura negra no Brasil e escreveu um estudo fundamental sobre A História Política do Futebol Brasileiro

Luiz Zanin Oricchio

04 Setembro 2015 | 20h10

Morre o historiador Joel Rufino dos Santos

 

História política do Futebol Brasileiro: esse é o título do livro de Joel Rufino dos Santos, publicado em 1981. Um dos textos fundamentais para a compreensão desse esporte no Brasil, do papel social que ele ocupou um dia (e hoje não ocupa mais, ou ocupa de outro jeito). Joel morreu hoje, aos 73 anos, vítima de complicações de uma operação cardíaca a que se submeteu dia 1º.

Joel Rufino era intelectual de múltiplas virtudes. Nascido em Cascadura, em 1941, foi escritor, jornalista e historiador. Quando houve o golpe de Estado em 1964, exilou-se. De volta ao Brasil, foi preso e torturado.

Era intelectual de primeira linha e gente finíssima. Conheci-o, de leve, em São Paulo, através de amigos comuns. Naquele tempo eu andava muito com historiadores da USP e Joel circulava por ali. Lembro-me de um papo muito agradável no Rei das Batidas, em Pinheiros, na entrada da Cidade Universitária, quando Joel falava de uma de suas paixões – a cidade de Istambul. Era nos anos 1970, meados talvez. Não sei por que essa pequena recordação pessoal me veio à mente ao saber de sua morte no final desta tarde de chumbo em São Paulo.

No começo de carreira, Joel, a convite de Nelson Werneck Sodré, trabalhou no Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros) e foi um dos autores da coleção História Nova do Brasil. Quando os militares tomaram o poder, em conluio com civis, Joel saiu do país. Viveu no Chile e na Bolívia. Na volta, participou da luta contra a ditadura militando na ALN (Aliança Libertadora Nacional), de Carlos Marighella. Foi preso e cumpriu pena de 1972 a 1974.

Dedicou-se também à literatura infanto-juvenil, com a qual ganharia dois prêmios Jabuti, com Uma Estranha Aventura em Talalai e O Barbeiro e o Judeu da Prestação contra o Sargento da Motocicleta. Foi presidente da Fundação Palmares e era um dos principais defensores da cultura negra brasileira.

Uma boa forma de homenageá-lo seria reeditar a fundamental História Política do Futebol Brasileiro, editado em 1981 pela Brasiliense e, que eu saiba, fora de catálogo.

Perda irreparável é um clichê. Mas, no caso do Joel, não existe outra definição possível.

 

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