Abaixo Voltaire!
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Abaixo Voltaire!

Em encontro conservador, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo criticou o filósofo francês Voltaire por este ter desrespeitado a monarquia e a religião

Luiz Zanin Oricchio

12 de outubro de 2019 | 12h52

O filósofo francês Voltaire, criticado pelo chanceler brasileiro Ernesto Araújo

Em sua fala no evento conservador CPAC Brasil, o ministro das relações exteriores Ernesto Araújo atacou várias personalidades. Entre as quais o filósofo francês Voltaire (1694-1778). 

Em seu tempo, Voltaire, cujo verdadeiro nome era François Marie Arouet, enfrentou diversos problemas com as autoridades reais em razão de seu pensamento libertário. 

Uma dessas autoridades, furiosa pelas diatribes do filósofo, um dia o encontrou numa rua em Paris e lhe disse: “Monsieur Voltaire, vou lhe mostrar algo que o senhor não conhece.” “O que seria?”, indagou Voltaire. “O interior da Bastilha”, respondeu a autoridade. E cumpriu o prometido, remetendo o filósofo à famosa prisão parisiense, aquela que cairia no dia 14 de julho de 1789, servindo de marco histórico à Revolução Francesa. 

Voltaire é autor de vasta obra, destacando-se os deliciosos e satíricos Zadig e Cândido, e também o Ensaio sobre os Costumes, considerado seu melhor livro e aquele que o levou ao exílio, banido pelos Bourbons. 

Voltaire lutou toda a vida contra o poder monárquico mas também contra o clerical, o que não contribuiu para lhe facilitar a existência. Costumava fechar seus escritos com um incisivo “Écrasez l’infâme”. Esmaguem a infame, referindo-se à Igreja Católica. 

Além de atacar os poderosos do seu tempo, Voltaire sempre defendeu a liberdade de expressão. Foi um incômodo, o que é o único papel cabível a um pensador livre. 

Hoje as cinzas de Voltaire repousam em frente às de um desafeto, o igualmente genial Jean-Jacques Rousseau. Sempre que vou a Paris costumo dar uma passada no Panteão para reverenciar esses dois gigantes do passado. Voltaire foi meu herói intelectual de juventude, logo que descobri a filosofia. 

No presente, o chanceler brasileiro o detrata porque “começou a querer lacrar” quando contrapôs ideologia com a verdade e desrespeitou “a fé e a monarquia francesa”. (em O Globo, 12/10/2019) 

Portanto, o combate ideológico de Araújo se estende do PT ao Iluminismo, essa fonte de todo mal que se abateu sobre uma sociedade estável, a dos Bourbons. Como decorrência, não aceita a Revolução Francesa. 

Dado o nível intelectual do governo que representa, faz todo sentido. 

Tendências: