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A voz da perifa

Luiz Zanin Oricchio

27 de outubro de 2006 | 11h10

Fui ontem à noite ver Antonia, de Tata Amaral, no Cine Bombril. Foi uma consagração, com a presença das meninas Negra Li, Leilah Moreno, Cindy, Quelianah e do rapper Thaide. Cinema lotado, muitos aplausos e emoção. Reação merecida para um filme que, se vê, foi feito com o coração. E também com muita técnica. Os planos de abertura da periferia paulistana são de tirar o fôlego – também, tem a assinatura de um craque, o fotógrafo Jacob Solitrenik.

Pois bem, com tudo isso a favor, o filme fala de um conjunto musical feminino, um quarteto, de início, mas que vai sofrendo perdas ao longo da existência, para depois se recompor.

O filme é uma clara homenagem à capacidade de sobrevivência do povo simples brasileiro. Abandonado nas Vilas Brasilândias da vida (onde o filme é ambientado), esse pessoal consegue, não apenas tocar a existência adiante, como fazê-lo com arte. E, no melhor dos casos, transformando essa arte em veículo de convivência social e progresso pessoal. Gostei de Antonia porque é emotivo sem ser piegas e consegue obter, de atores não-profissionais, atuações naturais e convincentes. Enfim, é mais um filme que traz a voz da periferia para a tela. E desta vez o faz com os próprios personagens da vida real. Muito bom.

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