A volta do Ministério da Cultura. Depoimentos
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A volta do Ministério da Cultura. Depoimentos

Luiz Zanin Oricchio

22 de maio de 2016 | 13h44

Funarte (Rio) ocupada

Funarte (Rio) ocupada

 

De novo, divulgo para vocês a repercussão que fiz ontem para a recriação do MinC pelo governo provisório Temer, que cedeu após manifestações da classe artística e cultural. Os depoimentos vão na ordem em que me chegaram.

 

“Foi uma vitória não apenas dos artistas, intelectuais e demais trabalhadores da cultura e sim da sociedade brasileira. Da consciência crescente na nossa sociedade de que a cultura é o lastre maior da cidadania, da liberdade de expressão, da política, dos direitos humanos. Espero que essa mesma força dos trabalhadores da cultura e da consciência coletiva atue, da mesma maneira incisiva, no que se refere à televisão pública. O Conselho Curador e os funcionários da TV Brasil estão sumamente preocupados com ingerências indevidas do governo Temer na direção da empresa, a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV) e o Sindicato da Indústria Audiovisual (Sicav) divulgaram uma nota no mesmo sentido. A televisão pública deve ser gerida pela sociedade e responder à sociedade e não a governos. Como está na Constituição, televisão estatal é uma coisa, televisão pública é outra.”

Orlando Senna, cineasta

 

“Como já te disse não conheço esse novo ministro.  Aparentemente é positivo que volte o Minc,  mas  um ministério , assim como um órgão de um corpo – faz parte de uma política de governo. Quando pedimos o Minc estamos falando de políticas de democratização e descentralizaçao do fazer/consumir cultura que vinham sendo praticadas por ministros como Gil e Juca Ferreira.  Então antes de celebrarmos  a volta do Ministério da Cultura  precisamos saber que Minc será esse?”
Anna Muylaert , cineasta

 

 

“A volta do MinC se deu por pressão do setor artístico e cultural. É importante dizer, entretanto, que tenho lido muitos artistas defenderem o minc com uma argumentação completamente destituída do contexto político mais amplo e do sentido político do ministério. Acho essa postura lamentável e, em alguns casos, oportunista. Para mim, a luta pelo Minc é inseparável da luta por um Minc dedicado a políticas públicas abrangentes e inclusivas. Um Minc que volte a ser um órgão do Estado para financiar as velhas elites lobbistas é tudo que não precisamos – nós que defendemos um estado democrático no sentido profundo da palavra. A luta pelo Minc não pode portanto ser separada da luta contra o golpe e da luta por uma sociedade profundamente democrática.”
Francisco Bosco. Filósofo, ensaísta, ex-presidente da Funarte

 

“Consequente vitória . A cultura é o retrato do país , sinto orgulho de pertencer a uma classe que tem voz . Que reclama ,grita ,e o seu berro assusta .A volta do Ministério anuncia o retorno da razão ao poder. Viva o inconformismo tenaz dos artistas .Tiram ouro das pedras !”

Domingos Oliveira, cineasta

 


“As idas e vindas deste novo-velho governo ilegítimo revelam o subtexto de escárnio da elite político-econômica pela Cultura. Bem vinda a volta do MinC, mas que Ministério será esse? A escolha de um gestor muito jovem, que só conhece os artistas e produtores do Rio, sem experiência de fundo sobre o modus operandi da produção cultural, para gerir um setor de enorme complexidade e diversidade é temerária. Não conheço a pessoa nem duvido de sua capacidade profissional, mas ele vai precisar de muita inteligência e magnitude para fazer avançar os pleitos da atividade. Senão, vai ser um mero adereço de cena nesta farsa política que estamos vivendo. O momento agora é de pensar grande. O que o governo Temer-Marcelo tem de concreto a propor para o avanço das indústrias culturais do país?”
Toni Venturi – Cineasta

“Foi uma derrota dos golpistas e uma vitória do campo cultural, que
mostra sua força, com a ocupação de prédios públicos em 21 estados. Ummovimento articulado e mobilizado que não vai recuar com a volta do MinC , pois tem como objetivo a saída do governo interino e ilegítimo de Michel Temer.

A luta não é para reverter a extinção do MinC simplesmente, mas de
outros ministérios e secretárias simbólicas como Direitos Humanos,
Igualdade Racial, Ciência e Tecnologia, sem falar da Previdência,
extinção revanchista que mostra para onde mira o programa conservador: para todas as políticas e sujeitos sociais que emergiram nessas últimas décadas e repudiam o golpe parlamentar.

A mobilização contra a extinção mostrou o peso simbólico e político da
Cultura e o efeito devastador e em cascata da interrupção de políticas
públicas no nível nacional! Por exemplo, a Prefeitura de Belford Roxo
no Rio de Janeiro extinguiu sua Secretaria de Cultura imediatamente
depois da medida de Temer.

O campo cultural vai monitorar cada tentativa de desmonte de ações,
programas e vai se articular com outros movimentos e campos para
barrar qualquer retrocesso.

Com ordem e contra ordens, com atos de extinção e remediação, esse
governo interino mostra a que veio: destruir o que construimos, sem
força, sem legitimidade para propor nada no lugar.

Não tem conversa e nem diálogo, devolveram o MinC, agora só falta
devolver o Brasil para os 54 milhões de eleitores que não votaram nesse programa retrógrado e francamente boçal.”

Ivana Bentes, professora da UFRJ e ex-integrante da equipe de Juca Ferreira no MinC






 

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