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A vitória de Scorsese

Luiz Zanin Oricchio

26 de fevereiro de 2007 | 08h31

Sei que muita gente vai pichar a vitória de Martin Scorsese no Oscar. Eu mesmo achei que ele não iria levar. Apostei que ganharia como diretor, mas não como melhor filme. Achei, que, na hora agá, a Academia, sediada em Los Angeles, iria punir o novaiorquino. Além disso, também sei que o filme é problemático, cheio de arestas e ambigüidades. Mas qual obra interessante não é assim? Scorsese, mais uma vez, fala da violência que parece constituir o próprio fundamento da sociedade americana, pré ou pós Bush. Aliás, praticamente ele não fala de outra coisa, ao longo de sua carreira. Se formos pensar bem, em Táxi Driver, Touro Indomável, Os Bons Companheiros, Gangues de Nova York, os temas, subtemas e subtextos passam por aí. Não se trata de uma violência endêmica, que possa ser combatida. Trata-se de uma violência estrutural, inscrita no coração do sistema. Em Os Infiltrados, lá pelas tantas, um dos personagens diz a outro: “Nesse país parece que todos se odeiam entre si”. Bem, uma frase não é um filme. Mas às vezes o define. Acho que o Oscar está em boas mãos.
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