As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A segurança dos italianos…e a nossa

Luiz Zanin Oricchio

07 de setembro de 2007 | 06h31

VENEZA – Acompanho com interesse a crise de segurança pública na Itália. Na verdade, não é nem de longe parecida com a que temos no Brasil. Mas, para eles, existem já sinais alarmantes. Os chamados pequenos delitos começaram a crescer de forma exponenecial. O cineasta Giuseppe Tornatore foi agredido. Furtos acontecem nas cidades grandes. Agora o cavalo de batalha são os lavadores de para-brisas que, como no Brasil, abordam os carros nos semáforos. Há quem veja nisso tudo um sinal de degradação da vida nas metrópoles.

O governo de Romano Prodi, de centro-esquerda, prepara um pacote de medidas para afrontar esses problemas. E o que acontece? O de sempre (leia aqui, em italiano). A direita diz que o país está à beira do caos. E a esquerda diz que não se pode revolver um problema social como se fosse caso de polícia. O que estaria em jogo seria a integração social dos imigrantes (porque è deles que se trata) e não a repressão pura e simples.

Preventivamente, o governo diz que vai agir. E já se fala por aqui em política de “tolerância zero”, expressão cunhada pelo ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, para quem a leniência com os pequenos delitos acabava levando às grandes infrações e à generalização da criminalidade. A esquerda acha essa tese infundada, um flerte com o autoritarismo. Já para o governo, afrontar com energia a questão de segurança significa evitar o que chamam de “volta do fascismo”.

É assim mesmo: quando a população se sente desamparada, apóia-se no discurso truculento da direita. Mas a esquerda precisa lembrar que a segurança é um direito do cidadão. Faz parte do pacto social.

Isso tudo não faz lembrar de um certo país?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.