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A prova dos noves da bola *

Luiz Zanin Oricchio

21 de maio de 2013 | 10h52

Amigos, os Estaduais terminaram e agora o negócio é olhar de frente para o Campeonato Brasileiro, que começa neste fim de semana. O torcedor já está maduro para saber que não existe grande valor nas projeções que de hábito são feitas antes de cada campeonato. Ainda mais quando se trata de disputa tão longa, que começa agora e termina apenas em dezembro. Quanta água ainda não vai rolar até lá? Times serão desfeitos e em seguida refeitos. Jogadores oscilarão. Técnicos cairão e outros assumirão em seus lugares. Os discursos de sempre serão pronunciados por jogadores, pelos “professores”, pelos cartolas e pela mídia. O futebol se reencontra com sua rotina dos últimos anos, num campeonato disputado pela soma de pontos conquistados, sem maracutaias ou viradas de mesa. Essa constância da fórmula de disputa é algo raro, a ser comemorado em futebol tão cheio de problemas com o nosso.

Também é claramente impossível olhar para a frente sem levar em conta o que acabou de ocorrer. Não à toa se diz que os campeonatos estaduais funcionam como “laboratórios” para disputas mais importantes. Às vezes penso que é apenas um clichê, que repetimos sem atentar para seu significado real. Chamamos de laboratório o Estadual apenas para indicar que ele não tem grande importância, pelo menos não a mesma de décadas passadas? Pois deveríamos levar a palavra ao pé da letra: é o campeonato no qual se experimentam coisas. O laboratório é o espaço do erro, e também onde se descobre o novo. Tem de ser assim. Sem a disposição de errar não se consegue inovar. Tivemos isso? Claro que não. Vimos o lançamento de jogadores jovens? Não. Assistimos a mudanças na armação tática dos times? Não. Buscamos uma fórmula de disputa mais interessante e sintética? Não e não. Desse modo, ficamos no plano puramente semântico, em que os Estaduais são chamados de laboratórios mas nos quais nada se experimenta.

Apesar de continuarmos a chamá-los assim, de laboratórios, os Estaduais são vistos como disputas como outras quaisquer, nas quais o importante é sagrar-se vencedor. Nesse sentido, o Corinthians, campeão de 2013, é um daqueles que não experimentaram nada. Comportou-se da forma como todos conhecem, com o jogo prático e consistente que lhe tem garantido títulos importantes. Deve continuar sua trajetória vitoriosa, a não ser que sofra muito com a janela de transferências. Arrisca-se a perder Paulinho, o que é grave, mas inicia o Brasileirão como o time a ser batido. Sua força é o conjunto, não os indivíduos, embora, claro, estes contem e muito. Já o Santos vive situação inversa. Não sabe se vai ou não ter Neymar, o que muda tudo. O time não engrenou, alguns contratados não se acertaram, muita coisa deve ser mudada. Muricy, em sua autocrítica, deveria pensar por que não conseguiu até agora encontrar um time. A falta de padrão tático é evidente. O Palmeiras deve encarar a sua rotina na Série B e o São Paulo, que no papel é um belo time, na prática também acabou no saldo devedor.

Na verdade, o grande tira-teima do Campeonato Brasileiro de 2013 será entre Corinthians e Atlético-MG, os únicos a fornecerem um contraste claro entre dois estilos de jogo. O Corinthians é sólido, mas só encanta Tite e a sua imensa torcida. O Atlético-MG é diferente. Faz ótima campanha na Libertadores, tornou-se campeão mineiro e é o único time brasileiro a despertar admiração pela maneira vistosa de jogar, mais do que pelos resultados. Cuca, até agora, conseguiu conciliar resultado e espetáculo, o que é o melhor dos mundos. Falta provar que esse estilo pode se impor ao pragmatismo sem sal do Corinthians. Falta ao Atlético um grande título, como o Brasileiro ou a Libertadores, de preferência os dois. Sem coroa, não há reinado.

Queiramos ou não, citemos ou não os grandes que nunca venceram, as conquistas são a insofismável prova dos noves do futebol.

 * Coluna publicada no Esportes do Estadão

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