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À Procura

Luiz Zanin Oricchio

05 Dezembro 2014 | 23h15

Diga-se o que se quiser, mas À Procura, de Atom Egoyan, é um dos filmes mais angustiantes do ano. Essa sensação deve-se, sem dúvida,aos temas da criança desaparecida e da pedofilia. Mas, em especial, à linguagem cinematográfica empregada, meio porosa, indefinida, deixandoo espectador muitas vezes sem pontos de apoio para seguir a narrativa.

Esse é, sem dúvida, um efeito buscado pelo experiente diretor nascido no Egito, de origem armênia, e radicado no Canadá.

A história é bastante inquietante. Um pai (Ryan Reynolds) estaciona a picape para fazer compras e deixa a filha, Cassandra (Peyton Kennedy)no carro. Quando volta, ela desapareceu sem deixar traços. Tem início uma busca, que conta com uma aplicada dupla de policiais (Rosario Dawson e Scott Speedman) para resolver o caso. Mas tudo parece em vão.

Depois de anos, a criança ainda estará viva?

Em outras mãos, À Procura seria apenas um thriller psicológico sem maiores implicações. Com Egoyan, cineasta que tem seu clube de fãs, mas também detratores, o formato recebe um traço de originalidade. A sequência de fatos é embaralhada e nunca se sabe direito quem pode estar implicado no crime. Nem mesmo as pessoas mais próximas da menina. Essa indefinição só faz aumentar o clima de suspense – e esse é um mérito de Egoyan.

Certa artificialidade do desfecho suga um pouco de força ao filme, que, mesmo assim, se sustenta.

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