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A Primeira Coisa Bela

Luiz Zanin Oricchio

16 de junho de 2012 | 19h09

Houve um tempo em que se esperava com ansiedade pelos filmes italianos. Não apenas pelo último trabalho de mestres como Fellini e Antonioni, mas também os de um formidável “segundo time”, composto por nomes como Mario Monicelli e Dino Risi. Injustiça, claro, pois tanto Monicelli como Risi faziam cinema de primeira ordem, embora também se preocupassem muito com a resposta do público. Era o tempo de ouro da commedia all’italiana, esse gênero agridoce que eles sabem temperar como ninguém. Depois os mestres morreram e o cinema italiano praticamente saiu das nossas vidas. Pouco aparece por aqui, com raras exceções. Uma delas é este A Primeira Coisa Bela.

Ouvem-se por aí restrições ao excesso de “italianidade” do filme. Certo, mas se é um filme italiano! O que fazer? Os personagens deveriam se comportar como lordes ingleses? Será que medimos tudo pelo sabor homogêneo do fast-food cinematográfico atual? Não temos paladar para outros gostos, outras culturas? Porque é justo essa italianidade em excesso que faz de A Primeira Coisa Bela um dos filmes mais interessantes em cartaz.

Ele conta a história de Anna, mulher cheia de vida, livre, e que causa pasmo na sociedade fechada onde vive. Sua trajetória é contada em dois tempos. Jovem (Micaela Ramazzotti) nos loucos anos 70 e, agora, no presente, sofrendo de doença grave, por Stefania Sandrelli. Seu comportamento e os constrangimentos que causa são vistos pelo olhar dos filhos, Bruno (Valerio Mastrandea) e Valeria (Claudia Pandolfi). Há também um comentário sobre a vida fechada da província, Livorno, no caso a terra natal do diretor. O filme é engraçado e triste, superficial e profundo, permite uma leitura rasa, mas se abre a outras interpretações para quem se dispuser. Enfim, é uma comédia dramática como só italianos sabem fazer.

(Caderno 2)

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