As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A pequena melhora da seleção brasileira

Luiz Zanin Oricchio

06 de setembro de 2011 | 08h26

Amigos, foi melhor o futebol da seleção brasileira apresentado contra Gana, apesar da vitória magra por 1 a 0, com um jogador a mais durante todo o segundo tempo e parte do primeiro. Nada que pudesse nos levar à ilusão de um futebol brasileiro reencontrado consigo mesmo. Mas, que diabo, não sejamos ranzinzas: houve progresso, mesmo levando em conta a fragilidade do adversário. Fragilidade técnica, bem entendido, porque os ganeses são fortes à beça, e batem bem. Talvez por isso Mano tenha optado no segundo tempo por dois fortões na frente, Leandro Damião e Hulk para enfrentar aquela zaga, digamos assim, viril. Além disso, Gana fez uma campanha até melhor que a do Brasil na Copa da África, convém lembrar.

Pelo menos a seleção se comportou de maneira diferente da dos jogos anteriores, quando parecia frágil demais e pouco fluente. Houve evolução, como disse. Mas o que se pode perguntar é se essa evolução terá se solidificado ou será na base de uma no cravo e outra na ferradura? Só o tempo dirá, embora o próximo compromisso do Brasil, dia 14, em Córdoba, contra a Argentina, só tenha como convocados jogadores em ação no Brasil. Com os “europeus” de fora, o retrato que se terá da seleção nesse jogo não será fidedigno. Assim, se vale como teste, e pela rivalidade, o que se pode dizer é que não refletirá a realidade de momento, pois, a rigor, apesar da “nacionalização” parcial da seleção, a maior parte dos seus jogadores ainda trabalha no exterior. Nada indica que será diferente por ocasião da Copa do Mundo. Muito pelo contrário.

De qualquer forma, picuinhas à parte, se pode dizer que Marcelo não pode ficar fora do time. Não existe lateral que esteja nem de perto à sua altura. O problema será administrar a máscara e evitar e-mails comprometedores, como aquele que, por engano, ele endereçou a Mano Menezes dizendo-se contente por se haver livrado da seleção. Outro que não pode ser dispensado é Ronaldinho Gaúcho, que vive grande fase no Flamengo e funcionou como ponto de referência no jogo contra Gana. Mostrou que impõe respeito, deixa os jovens mais tranquilos e sabe enfiar bolas como pouca gente. Os passes que deu para Leandro Damião e Pato foram estupendos. Por falar nele, Damião parece ser a solução, por ora, para a posição de centroavante. Põe a bola para dentro, como faz no Inter, e isso, no futebol, ainda não é mero detalhe.

Calcio. Estou na Itália a trabalho e tenho acompanhado o início da temporada. Estamos acostumados a ver na Itália um dos países que tiram os nossos melhores jogadores, ainda bem jovens. Pois bem, eles também se preocupam com a desnacionalização do seu futebol, em especial por causa das pífias seleções nacionais que têm conseguido montar. Existe, na Bota, quem responsabilize o desempenho da Azzurra em Copas pela falta de oportunidade que os novos talentos têm nos grandes clubes, todos eles atravancados por estrangeiros.

No caso, os números falam por si: dos cerca de 250 jogadores contratados nessa janela de verão, nada menos de 130 são estrangeiros. Um articulista do cotidiano La Repubblica admite que a “mercadoria” agora é global e que falar em campeonato italiano, espanhol, inglês e alemão serve apenas como ponto de referência geográfica e não mais de nacionalidade dos atletas e, muito menos, identidade estilística. Tudo virou o mesmo pastel, embora haja inocentes que entendam que isso foi bom para o futebol. Foi bom para os negócios, o que é bem diferente. As vendas envolvendo alguns atletas como Sanchez, Pastore, Menez e outros movimentaram 100 milhões de euros, quando o valor de aquisição de todos somados havia sido de meros 20 milhões. Lucro imediato: 80 milhões de euros. Quem detém essa roda da fortuna?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: